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QUEIMADAS

Incêndios na Patagônia expõem nova dinâmica do fogo impulsionada pelo clima

21 de janeiro de 2026
2 min. de leitura
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Pessoas caminham por uma estrada enquanto um incêndio florestal se alastra em El Hoyo, Patagônia, Argentina, quinta-feira, 8 de janeiro de 2026. Foto: AP Photo/Maxi Jonas

Desde 9 de dezembro, uma sequência de incêndios florestais de grandes proporções atinge o norte da Patagônia argentina. A origem dos focos ainda está sendo discutida. As chamas se espalharam pelas províncias de Chubut, Río Negro, Neuquén e Santa Cruz e já consumiram dezenas de milhares de hectares, segundo dados oficiais divulgados por autoridades locais e órgãos federais de emergência.

O fogo também atinge a parte chilena, onde intensificação das chamas neste fim de semana deixou ao menos 19 pessoas mortas, enquanto o governo realiza evacuação e combate ao menos 30 focos de calor.

O Chile enfrenta ondas de calor que chegaram a atingir 37 graus Celsius na parte sul do país. A maioria atingida pelas chamas estava em Penco, uma pequena cidade costeira ao norte da capital regional, Concepción. As chamas foram varrendo a paisagem em propagação muito rápida.

Na Argentina, o impacto mais severo se concentrou na província de Chubut, onde o fogo avançou no Parque Nacional Los Alerces, patrimônio natural reconhecido pela Unesco. Em um dos episódios mais críticos, as chamas percorreram cerca de 25 quilômetros em apenas um dia, evidenciando a velocidade incomum de propagação dos incêndios nesta temporada.

Estimativas oficiais variam sobre a área total queimada, algumas apontam mais de 25 mil hectares atingidos em toda a região, enquanto balanços locais mencionam ao menos 15 mil hectares devastados. Especialistas ouvidos por autoridades ambientais destacam que essa diferença reflete a dificuldade de consolidar dados em incêndios ainda ativos e distribuídos por diferentes jurisdições.

Em entrevista ao El País, o pesquisador Thomas Kitzberger, do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (CONICET) e especialista em ecologia das florestas andino-patagônicas, defendeu que a região passa por uma mudança estrutural no regime de incêndios. Secas mais prolongadas, redução da cobertura de neve no inverno, temperaturas mais elevadas e maior frequência de tempestades criam condições ideais para incêndios de grande escala e difícil controle.

Embora parte dos focos tenha sido iniciada por raios, dados da Agência Federal de Emergências (AFE), ligada ao Ministério da Segurança da Argentina, indicam que cerca de 95% dos incêndios florestais na Argentina têm origem humana. Entre as principais causas estão fogueiras mal apagadas, bitucas de cigarro descartadas em áreas naturais, queima para limpeza de terrenos e preparação de pastagens.

A própria AFE reconhece que fatores climáticos extremos, como estiagens prolongadas, ventos fortes e altas temperaturas, ampliam significativamente o potencial de propagação do fogo, transformando ignições pontuais em desastres ambientais de grandes proporções. No caso da Patagônia, os incêndios já são tratados pelas autoridades como um desastre ambiental.

Fonte: O Eco

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