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AQUECIMENTO GLOBAL

Iceberg A23a entra em fase final de derretimento

Gigante iceberg de gelo que se desprendeu da Antártica em 1986 começou a se fragmentar rapidamente ao avançar por águas mais quentes

1 de abril de 2026
Felipe Sales Gomes
3 min. de leitura
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Foto: Getty Images

Quase quatro décadas após se desprender da Antártica, o iceberg A23a, durante anos considerado um dos maiores do planeta, está entrando em sua fase final de desintegração. O enorme bloco de gelo, que permaneceu praticamente imóvel por mais de 30 anos no mar de Weddell, começou a se fragmentar de forma acelerada e pode desaparecer completamente nas próximas semanas.

O A23a se desprendeu da plataforma de gelo Filchner-Ronne em 1986. Pelo tamanho gigantesco, o iceberg permaneceu encalhado no fundo do oceano por décadas, tornando-se um objeto de observação constante para cientistas. Quando ainda estava intacto, chegou a ter cerca de 4 mil quilômetros quadrados — área quase três vezes maior que a cidade de São Paulo — e massa estimada em aproximadamente um trilhão de toneladas.

Derretimento do iceberg

A mudança começou a ser percebida a partir de 2020, quando o bloco finalmente se soltou e passou a se deslocar lentamente em direção ao norte, impulsionado por correntes marítimas. Esse movimento alterou completamente as condições ao redor do iceberg. Ao deixar as águas extremamente frias da Antártica e avançar para regiões mais amenas do Atlântico Sul, o A23a passou a sofrer um processo intenso de erosão e fragmentação.

Conforme repercutiu o Metrópoles, esse derretimento ocorre principalmente porque a água ao redor do iceberg se torna progressivamente mais quente à medida que ele se afasta do continente antártico. Esse aumento de temperatura provoca o desgaste de suas laterais e da base submersa, além de favorecer o desprendimento de grandes blocos de gelo.

Nos últimos meses, o processo se intensificou. Grandes fragmentos, alguns com centenas de quilômetros quadrados, se separaram da estrutura principal, reduzindo drasticamente o tamanho do iceberg. Imagens recentes de satélite chegaram a mostrar áreas azuladas em sua superfície, sinal da presença de água de degelo acumulada sobre o gelo — um indicativo claro de que a massa está em rápida deterioração.

Embora cientistas ressaltem que o derretimento de icebergs gigantes seja um fenômeno natural, há um debate sobre o papel das mudanças climáticas na velocidade desse processo. Especialistas apontam que a sequência de anos excepcionalmente quentes registrada na última década, somada a anomalias térmicas nos oceanos, pode ter contribuído para acelerar a perda de massa do A23a.

Ainda assim, pesquisadores lembram que nem todo evento desse tipo pode ser diretamente atribuído ao aquecimento global. A fragmentação de grandes massas de gelo faz parte da dinâmica oceânica, sobretudo quando elas migram para latitudes mais baixas. O que chama a atenção no caso do A23a é a rapidez com que um iceberg que permaneceu estável por décadas perdeu grande parte de sua estrutura em pouco tempo.

Além do aspecto climático, o fenômeno também tem impactos locais no ecossistema marinho. O derretimento altera a temperatura da água e pode modificar temporariamente as condições de alimentação de espécies como pinguins, focas e outros animais do Atlântico Sul.

Fonte: Aventuras na História

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