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PUNIÇÃO

Ibama multa prefeitura por más condições no recinto do elefante Sandro no Zoológico de Sorocaba (SP)

Autuação listou irregularidades nos critérios de manejo de elefantes em zoológicos

29 de novembro de 2025
Murilo Aguiar
3 min. de leitura
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Foto: Thaís Verderamis

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autuou a Prefeitura de Sorocaba após fiscalização realizada em 17 de setembro de 2025, ao constatar que o elefante Sandro permanece em um recinto que descumpre normas federais para manutenção da espécie. A autuação prevê multa diária de R$ 1.100 enquanto o animal estiver em ambiente considerado irregular pelo órgão federal. A penalidade passou a contar desde o dia 17.

A fiscalização, durante a Operação Cage avaliou as condições do Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros. O relatório técnico aponta que o recinto do elefante não cumpre requisitos definidos pela Instrução Normativa nº 07/2015, que estabelece parâmetros mínimos para o manejo desses animais em cativeiro.

Entre as irregularidades identificadas, os fiscais registraram que o tanque disponível ao animal possui profundidade inferior à prevista na norma, medindo cerca de 1,2 metro, quando o mínimo exigido é de 2 metros.

A equipe também constatou que o cambiamento (área de recolhimento interno) possui altura estrutural inferior aos 6 metros determinados pela regulamentação. A fiscalização também apontou falta de sombra suficiente no recinto externo.

O relatório registra ainda a presença de cerca elétrica e de um fosso como barreiras físicas. Segundo o Ibama, esses elementos não são recomendados para a manutenção da espécie e representam risco de lesões. A inspeção também observou desgaste estrutural na área interna, incluindo infiltrações e trincas.

Os fiscais apontaram que as inadequações persistem desde normativas anteriores, incluindo a Instrução Normativa nº 169/2008, que já estabelecia parâmetros semelhantes. Para o órgão federal, a manutenção do elefante em condições incompatíveis com as normas caracteriza maus-tratos de forma continuada. As irregularidades, segundo o documento, existem há pelo menos 17 anos.

O Ibama encaminhou as infrações ao Ministério Público Federal, que instaurou notícia de fato para análise criminal. O MPF concluiu que a atribuição para tratar do tema é do Ministério Público do Estado de São Paulo, uma vez que o caso envolve animal que não integra listas federais de ameaça. A documentação foi então remetida à Promotoria de Justiça de Sorocaba.

O relatório de fiscalização também indica que as responsabilidades podem alcançar a administração municipal e profissionais técnicos vinculados ao zoológico, conforme as atribuições previstas na legislação de fauna. O processo administrativo segue em análise no Ibama, com possibilidade de apresentação de defesa e recursos por parte da prefeitura.

A autuação passa agora a integrar o conjunto de informações avaliadas pelo Ministério Público estadual, que acompanha processo judicial em andamento referente ao destino do elefante Sandro, para uma possível transferência a um santuário na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. Em despacho recente, o MP determinou o envio do material à Procuradoria de Justiça de Interesses Difusos e Coletivos, responsável por atuar em segunda instância na ação civil pública relacionada ao caso, além de encaminhar o conteúdo à Promotoria de Justiça Criminal para análise de possível crime ambiental. Após esses encaminhamentos, o procedimento foi arquivado na Promotoria do Meio Ambiente.

O que dizem os envolvidos

A reportagem procurou a Prefeitura de Sorocaba, que informou, por meio de nota, não ter sido notificada e que desconhece a autuação. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) afirmou que o processo está em grau de recurso e, por isso, não é possível prever quando será julgado, pois ainda depende de manifestações das partes.

Fonte: Cruzeiro do Sul

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