Na periferia de um subúrbio em Joanesburgo (África do Sul), um hospital veterinário tem salvando a vida de vários animais selvagens que vagam pelas áreas urbanas da cidade.
“Eu adoraria estar localizado no meio da selva, mas recebo mais casos aqui”, disse a especialista em reabilitação veterinária, Nicci Wright.
Wright fundou o hospital há dois anos em parceria com a também veterinária, Dra. Karin Lourens, e desde então já trataram de cerca de 4 mil animais.
Com a expansão de Pretória e Joanesburgo, a capital da África do Sul e seu centro econômico, os animais nativos da região estão sofrendo os impactos causados pela rápida urbanização. O hospital da vida selvagem trata principalmente pequenos mamíferos e aves de rapina que são feridos em função dessa situação.
Atualmente, existem cerca de 160 animais nas instalações do hospital, incluindo meia dúzia de tartarugas-leopardo, um píton sem dentes de 12 pés (aproximadamente 3,5 metros) de comprimento e uma lontra que foi tirada de seu habitat natural em uma tentativa frustrada de domesticação do animal.
Wright conta que a rotina do hospital é agitada, por exemplo, há o caso de um morador de Joanesburgo que chegou ao hospital, trazendo um touraco-cinzento em uma gaiola feita para um pássaro muito menor. Ele encontrou a ave em seu jardim, enquanto era atacada por seus cães. Ela não conseguia voar pois sua cauda e as penas de suas asas foram arrancadas. Como em qualquer hospital, a enfermeira Alicia Abbott abriu uma ficha e transferiu o novo paciente para um ambiente mais confortável para que seu tratamento possa começar.
A maioria das gaiolas no hospital fica coberta com toalhas e panos para impedir que a luz elétrica perturbe os animais. Junto com lesões físicas, muitos deles também sofrem de traumas psicológicos. Algumas espécies, como o pangolim, severamente ameaçada de extinção, mostram sinais visíveis de distúrbio de estresse pós-traumático quando ouvem qualquer voz humana masculina ou sentem cheiro de fumaça de cigarros, uma lembrança dos caçadores, disse Wright.
“Tudo é assustador para eles”, disse a veterinária.
Outro caso marcante foi o do jovem pangolim que chegou em uma caixa de madeira ao hospital. Wright conta que o pequenino começou a se mexer, arranhando a caixa como que se quisesse “chamar” a atenção para si.
Atualmente ele está no hospital, na hora de alimentar o pequeno mamífero um voluntário o leva para uma colina próxima, onde o pangolim, pode procurar por formigas para comer. Os pangolins são um dos mamíferos mais traficados do mundo devido à demanda por suas escamas de queratina, principalmente na Ásia.
Outra pangolim fêmea foi recentemente sedada e passou por um exame de ultrassonografia que descobriu que a pequena estava grávida.
Além dos cinco funcionários, o hospital conta com voluntários como Lauren Beckley, que mora nas proximidades. Beckley cuida de jovens primatas como babuínos e macacos vervet, que se apegaram a ela depois que suas mães foram baleadas ou atropeladas por humanos.
Demais animais selvagens no hospital incluem dois bebês galagonídeos (bush babies) recém-nascidos, que são pequenos primatas noturnos. Um foi atacado por um gato e o outro caiu de seu ninho.
Assim que os animais estiverem prontos para retornar a natureza, Wright e sua equipe, que trabalham com reservas naturais em todo o país, irão introduzi-los lentamente em um habitat novo, porém, mais seguro.