Animais silvestres vivem sob as condições que a natureza dispõe. Alimentos e água são encontrados lá. Mas em momentos de calor intenso, como o que estamos vivendo atualmente, não é incomum que algumas pessoas coloquem, em áreas próximas à mata, itens que podem ajudar esses seres a sobreviver.
Em Triunfo, no Sertão de Pernambuco, Lipe Nordestino mostra seu cotidiano enquanto disponibiliza alguns bebedouros para animais em áreas de seca. O jovem registra tudo e compartilha nas suas redes sociais, junto a belas fotografias de aves que usufruem dos ambientes onde ele põe água.
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Nos vídeos compartilhados por Lipe, é possível ver que ele faz a manutenção dos lugares onde os animais se hidratam. Em alguns casos, ele usa até cavas em rochas da área para dispor água.
Segundo o biólogo Felipe Borba, não é errado oferecer água e alimentos que estariam naturalmente disponíveis na natureza para esses animais. Desde que a higiene do recipiente no qual é disponibilizada a água seja feita com frequência, não haverá grandes problemas.
“Instalar bebedouro d’água, comedouro não vai impactar, porque é uma coisa pequena, uma coisa local. O que você tem que ter é higiene. Então, fruta e verdura devem ser lavadas, o bebedouro ser sempre lavado, para ele não acumular nem lodo, nem musgo”, explicou Felipe.
O biólogo ainda informou que a prática acaba por criar um hobby para quem ama os animais.
“Você pode procurar quais espécies habitam sua região, para que oferecer uma melhor qualidade de vida (através de alimentos direcionados à dieta que aquele animal consome) para esses animais. E aí você está ajudando o bicho e acaba adquirindo esse gosto, de ver a a natureza se desenvolver”, afirmou.
Felipe ainda reforçou que, no caso das aves, elas buscam o que a biologia chama de AAA: água, alimento e abrigo. Quando isso é disponibilizado, o local tende a ser um ponto de encontro de espécies.
Compartilhamento de alimentos
Além de não ofertar alimentos que não fazem parte, naturalmente, da dieta do animal, como ultraprocessados ou cozidos, é importante que a pessoa também não ofereça alimentos compartilhados.
“Se for pegar o alimento, não pegar, por exemplo, uma banana que você colocou na boca, por exemplo. Porque pode transmitir alguma coisa para ave, ou até para outro mamífero, como o sagui. Se o sagui comer a banana e a banana estiver infectada com herpes, que é algo que praticamente todo mundo tem, só não é mostrado, ele, por não ter anticorpo para a herpes como os humanos, vai morrer”, explicou o biólogo.
Segundo Felipe, o problema não é ofertar alimentos ou água para animais silvestres.
“Não há problema desde que você tome os cuidados. Então, vai colocar fruta, lava a fruta, lava a mão com água e sabão, corta, deixa ali separadinha. E água sempre fresca”, orientou.
Fonte: Folha de Pernambuco