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EMISSÃO DE GASES

Guerra fóssil: conflito entre Rússia e Ucrânia já gerou 311 milhões de toneladas de CO₂

Além da devastação humana, guerra que completa hoje 4 anos deixa uma marca crescente na atmosfera e abre uma nova frente na discussão sobre responsabilidade climática em conflitos

25 de fevereiro de 2026
3 min. de leitura
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Bombardeio russo atinge edifício residencial no distrito de Svyatoshyn de Kiev, capital da Ucrânia. Foto: Oleksandra Butova/Ukrinform/Future Publishing via Getty

A guerra entre Rússia e Ucrânia já lançou 311 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) na atmosfera desde fevereiro de 2022. O volume é próximo das emissões anuais da França e coloca o conflito entre as maiores fontes isoladas de gases de efeito estufa no período.

Os dados são da Initiative on GHG Accounting of War, iniciativa que calcula a pegada de carbono de conflitos armados. Só no quarto ano da invasão, as emissões cresceram 75 milhões de toneladas.

A maior parte vem do próprio esforço de guerra: consumo de combustível por tanques, aviões e veículos blindados, além da produção e reposição de armamentos, destaca o site EuroNews. Em 2025, o uso direto de combustíveis fósseis respondeu por 37% das emissões do conflito.

Os incêndios em paisagens naturais também dispararam pelo segundo ano consecutivo e representaram 23% do total recente. Em 2025, a Ucrânia registrou 1,39 milhão de hectares queimados, muito acima da média pré-guerra. O relatório aponta que condições mais quentes e secas — associadas ao aquecimento global — agravaram o cenário, transformando focos de combate em incêndios fora de controle.

A reconstrução de infraestrutura destruída, especialmente no setor de energia, também elevou as emissões. Ataques a sistemas de aquecimento e eletricidade durante o inverno de 2025–2026 ampliaram os danos e a necessidade de obras emergenciais.

Especialistas afirmam que guerra e mudança climática formam um ciclo de retroalimentação. Isso porque conflito aumenta as emissões e a degradação ambiental, enquanto eventos climáticos extremos intensificam seus impactos.

O debate se estende à transparência do setor bélico. Estimativas globais indicam que atividades militares respondem por cerca de 5,5% das emissões mundiais, mas grande parte desses dados não é reportada oficialmente.

Na última COP, em Belém, o governo ucraniano anunciou que pretende buscar reparação financeira pelas emissões geradas pela invasão. A proposta é cobrar mais de € 37 bilhões da Rússia com base no chamado “custo social do carbono”, o que pode se tornar o primeiro caso de reparação climática vinculada a um conflito armado.

Fonte: Um só Planeta 

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