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FORA DO HABITAT

Golfinho oceânico aparece morto em praia de água doce no Pará e mobiliza pesquisadores

Um golfinho-listrado, espécie típica do alto-mar, encalhou na praia do Ariramba, em área de águas estuarinas, e passa por investigação científica.

4 de fevereiro de 2026
Sales Coimbra
2 min. de leitura
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Foto: Reprodução/Instituto Bicho D’água

Entre rios caudalosos, marés imprevisíveis e praias de água doce, o litoral amazônico guarda encontros improváveis que desafiam a lógica da natureza conhecida. Quando um animal típico do alto-mar cruza esse limite invisível entre o oceano profundo e os estuários amazônicos, o fato deixa de ser apenas curioso e passa a exigir atenção científica.

Foi o que ocorreu na praia do Ariramba, em Mosqueiro, distrito de Belém, onde um golfinho-listrado (Stenella coeruleoalba) foi encontrado morto na última segunda-feira (02/02). A espécie, conhecida por viver longe da costa e em grandes profundidades, nunca havia sido registrada em encalhes no estado do Pará, segundo especialistas.

O caso levou à atuação conjunta do Instituto Bicho D’água e do Instituto de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pará (UFPA), campus de Castanhal. Técnicos realizaram a remoção do animal e procederam com a necropsia, etapa essencial para identificar possíveis causas da morte, que seguem sob análise.

Encontro de águas fluviais e marinhas

De acordo com os pesquisadores, o local do encalhe apresenta características estuarinas, com variação constante de salinidade devido ao encontro entre águas fluviais e marinhas. Esse tipo de ambiente não corresponde ao habitat natural do golfinho-listrado, espécie adaptada a regiões oceânicas com profundidades superiores a 100 metros.

Apesar da raridade do registro, os técnicos explicam que a ocorrência não é considerada impossível. A faixa oceânica do Pará integra a área de distribuição da espécie, o que torna eventuais deslocamentos para áreas mais próximas da costa um fenômeno esperado, ainda que incomum.

Monitoramento e caracterização de cetáceos

O Instituto Bicho D’água atua na região por meio do Projeto de Monitoramento e Caracterização de Cetáceos (PCMC), vinculado às exigências ambientais do licenciamento conduzido pelo Ibama para pesquisas na Margem Equatorial Brasileira. O acompanhamento sistemático de encalhes é uma das principais ferramentas para avaliar alterações nos ecossistemas marinhos.

Segundo os especialistas, episódios como esse contribuem para a compreensão dos impactos ambientais e reforçam a importância da vigilância científica contínua sobre a fauna marinha amazônica, especialmente em um cenário de crescente pressão humana sobre o oceano.

Fonte: DOL

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