As geleiras do Alasca estão respondendo de forma cada vez mais sensível ao aquecimento global. Um novo estudo indica que, para cada aumento de 1°C na temperatura média do verão, o período de derretimento pode se estender em até três semanas.
O fenômeno não apenas intensifica o degelo, mas também altera o equilíbrio natural dessas massas de gelo. Isso significa mais perda acumulada ao longo do tempo, com impactos diretos no nível do mar e nos ecossistemas.
Por que as geleiras do Alasca estão derretendo mais?
Pesquisadores analisaram dados de radar dos satélites Sentinel-1 para monitorar mudanças entre 2016 e 2024. Diferente de imagens ópticas, o radar consegue atravessar nuvens e operar no escuro, garantindo medições mais precisas.
Segundo Mark Fahnestock, da Universidade do Alasca Fairbanks, observar a linha de neve — que separa áreas de acúmulo e derretimento — é essencial, mas difícil com métodos tradicionais.
Além disso, o estudo liderado por Albin Wells, da Universidade Carnegie Mellon, destaca que a duração da estação de degelo é um indicador-chave do chamado balanço de massa glacial.
Como o aumento da temperatura prolonga o degelo?
O principal achado é direto: temperaturas mais altas não apenas intensificam o derretimento, mas prolongam o período em que ele ocorre.
Isso acontece porque:
- O calor extra mantém a superfície da geleira em condições de degelo por mais tempo
- A neve protetora desaparece mais cedo
- O gelo exposto absorve mais radiação solar
Ou seja, o processo se retroalimenta. Quanto mais cedo começa, mais intenso se torna ao longo da estação.
Quais fatores aceleram ainda mais o derretimento?
Além do aquecimento gradual, eventos extremos têm papel decisivo. Ondas de calor podem causar mudanças abruptas.
Durante um episódio registrado em 2019 no Alasca, temperaturas ficaram até 17°C acima da média. Em cidades como Anchorage, os termômetros atingiram níveis incomuns, acelerando drasticamente o degelo.
Esses eventos mostram que o sistema glacial é altamente sensível a variações rápidas.
Qual é a importância do uso de radar no monitoramento?
O uso de radar de abertura sintética (SAR) representa um avanço técnico relevante. Ele permite acompanhar as mudanças em tempo quase real, independentemente das condições climáticas.
Diferente de métodos tradicionais, o radar:
- Funciona mesmo com nuvens densas
- Não depende de luz solar
- Permite medições frequentes
- Detecta variações ao longo de toda a estação
Segundo especialistas, essa abordagem pode ser aplicada globalmente, ampliando a capacidade de prever mudanças futuras.
O que esse estudo revela sobre o futuro do clima?
A principal conclusão é clara: pequenas mudanças de temperatura podem gerar impactos desproporcionais nas geleiras.
Ao estender a estação de degelo em semanas, o aquecimento acelera a perda de gelo de forma cumulativa. Além disso, eventos extremos como ondas de calor podem antecipar processos que normalmente ocorreriam meses depois.
Isso levanta uma reflexão importante: se o ritmo atual de aquecimento continuar, o comportamento das geleiras pode mudar de forma ainda mais rápida e imprevisível.
Fonte: UAI Notícias