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GELEIRAS

Geleiras do Alasca derretem até três semanas a mais a cada 1°C de aquecimento

29 de março de 2026
3 min. de leitura
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Foto: AmilcarAbreuFernades/GettyImages

As geleiras do Alasca estão respondendo de forma cada vez mais sensível ao aquecimento global. Um novo estudo indica que, para cada aumento de 1°C na temperatura média do verão, o período de derretimento pode se estender em até três semanas.

O fenômeno não apenas intensifica o degelo, mas também altera o equilíbrio natural dessas massas de gelo. Isso significa mais perda acumulada ao longo do tempo, com impactos diretos no nível do mar e nos ecossistemas.

Por que as geleiras do Alasca estão derretendo mais?

Pesquisadores analisaram dados de radar dos satélites Sentinel-1 para monitorar mudanças entre 2016 e 2024. Diferente de imagens ópticas, o radar consegue atravessar nuvens e operar no escuro, garantindo medições mais precisas.

Segundo Mark Fahnestock, da Universidade do Alasca Fairbanks, observar a linha de neve — que separa áreas de acúmulo e derretimento — é essencial, mas difícil com métodos tradicionais.

Além disso, o estudo liderado por Albin Wells, da Universidade Carnegie Mellon, destaca que a duração da estação de degelo é um indicador-chave do chamado balanço de massa glacial.

Como o aumento da temperatura prolonga o degelo?

O principal achado é direto: temperaturas mais altas não apenas intensificam o derretimento, mas prolongam o período em que ele ocorre.

Isso acontece porque:

  • O calor extra mantém a superfície da geleira em condições de degelo por mais tempo
  • A neve protetora desaparece mais cedo
  • O gelo exposto absorve mais radiação solar

Ou seja, o processo se retroalimenta. Quanto mais cedo começa, mais intenso se torna ao longo da estação.

Quais fatores aceleram ainda mais o derretimento?

Além do aquecimento gradual, eventos extremos têm papel decisivo. Ondas de calor podem causar mudanças abruptas.

Durante um episódio registrado em 2019 no Alasca, temperaturas ficaram até 17°C acima da média. Em cidades como Anchorage, os termômetros atingiram níveis incomuns, acelerando drasticamente o degelo.

Esses eventos mostram que o sistema glacial é altamente sensível a variações rápidas.

Qual é a importância do uso de radar no monitoramento?

O uso de radar de abertura sintética (SAR) representa um avanço técnico relevante. Ele permite acompanhar as mudanças em tempo quase real, independentemente das condições climáticas.

Diferente de métodos tradicionais, o radar:

  • Funciona mesmo com nuvens densas
  • Não depende de luz solar
  • Permite medições frequentes
  • Detecta variações ao longo de toda a estação

Segundo especialistas, essa abordagem pode ser aplicada globalmente, ampliando a capacidade de prever mudanças futuras.

O que esse estudo revela sobre o futuro do clima?

A principal conclusão é clara: pequenas mudanças de temperatura podem gerar impactos desproporcionais nas geleiras.

Ao estender a estação de degelo em semanas, o aquecimento acelera a perda de gelo de forma cumulativa. Além disso, eventos extremos como ondas de calor podem antecipar processos que normalmente ocorreriam meses depois.

Isso levanta uma reflexão importante: se o ritmo atual de aquecimento continuar, o comportamento das geleiras pode mudar de forma ainda mais rápida e imprevisível.

Fonte: UAI Notícias

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