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Geleira do Fim do Mundo? Colapso na Antártida pode elevar nível do mar e afetar milhões em cidades costeiras

Análise do The New York Times aponta que derretimento da Thwaites pode impactar grandes centros urbanos

21 de março de 2026
Nilson Cortinhas
5 min. de leitura
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Geleira Thwaites, na Antártida, apresenta fraturas e avanço acelerado do derretimento. Foto: Stuart Rankin/Flickr

O avanço do aquecimento global tem acelerado o derretimento de grandes massas de gelo na Antártida, e uma delas causa uma grande preocupação científica: a geleira Thwaites. Conhecida como “geleira do fim do mundo”, ela pode provocar uma elevação do nível do mar nas próximas décadas, com impactos diretos sobre milhões de pessoas que vivem em áreas costeiras.

Uma análise publicada pelo The New York Times aponta que, caso a Thwaites colapse 100%, o nível médio global do mar pode subir cerca de 60 centímetros ao longo de algumas décadas. O suficiente para afetar milhões de pessoas em várias cidades. Os mapas podem ser visto nesta página.

O levantamento identifica áreas urbanas povoadas e de baixa altitude que já estão em situação de vulnerabilidade, e que podem enfrentar inundações frequentes ou permanentes, diante do referido cenário. Compreender com mais precisão quando e como a geleira Thwaites pode colapsar é essencial para orientar políticas públicas e investimentos em infraestrutura.

Áreas provavelmente afetadas em algumas das maiores cidades da Ásia. Foto: NYT/Climate Central; Worldpop; Jerry Mitrovica, Universidade de Harvard.

Ásia

Entre as cidades mais expostas estão Bangkok, na Tailândia, com quase sete milhões de pessoas em áreas de risco; Xangai, na China, com 4,7 milhões; Kolkata, na Índia, com 1,7 milhão; e Ho Chi Minh, no Vietnã, com 1,6 milhão. Outros centros urbanos também aparecem na análise, como Tóquio, Lagos e Nova Orleans, embora o risco mais intenso seja na Ásia, onde se concentram regiões de rápido crescimento urbano e densidade populacional.

Em Xangai, mais de 600 mil pessoas já vivem abaixo do nível do mar. Com a elevação projetada, outros 4,7 milhões poderiam ser impactados diretamente. Para reduzir riscos, autoridades locais têm investido na criação de áreas alagáveis, capazes de absorver o excesso de água.

Brasil

No Brasil, milhões de pessoas que vivem em áreas de baixadas também serão potencialmente atingidas pelo aumento do nível do mar causado pelas mudanças climáticas.

Mais impactos

O aquecimento global continua elevando o nível dos oceanos por meio de outros processos, como o derretimento da Groenlândia e a expansão térmica da água. A geleira funciona como uma barreira natural que contém outras massas de gelo da Antártida Ocidental. Sua ruptura pode desencadear uma consequência ainda mais desastrosa.

“Eventualmente, isso levaria à perda de toda a Antártida Ocidental”, afirmou Richard Alley, professor de geociências da Universidade Estadual da Pensilvânia.

Adaptação

A adaptação a esse novo cenário climático envolve investimentos bilionários. Nos Estados Unidos, uma proposta do Corpo de Engenheiros do Exército para proteger partes da cidade de Nova York pode custar mais de US$ 52 bilhões.

“Vamos defender os locais de maior valor que forem protegíveis, mas haverá outros que não conseguiremos proteger”, afirmou o cientista-chefe da Climate Central, Benjamin Strauss.

Desigualdade climática

Em países em desenvolvimento, os desafios são ainda mais complexos. Dhaka, capital de Bangladesh, deve ultrapassar 50 milhões de habitantes até 2050 e dependerá fortemente de financiamento externo para se adaptar aos impactos climáticos.

O país, formado por áreas de baixa altitude e altamente exposto a eventos extremos, já enfrenta mudanças significativas. Vilarejos foram engolidos pelo avanço das águas.

Apesar dos alertas, cidades costeiras continuam atraindo população e investimentos. Em muitos casos, áreas densamente povoadas permanecem concentradas próximas ao litoral — justamente onde o risco é maior. Miami, por exemplo, tem registrado aumento populacional.

Fonte: Um só Planeta

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