A gata que foi arremessada pela janela do 12º andar de um prédio no Centro de Curitiba, na tarde de quinta-feira (05/02), continua internada em estado grave em uma clínica veterinária da capital paranaense. O animal foi lançado pela tutora, uma imigrante chinesa, com a justificativa de que não “gostava de gatos”. Ela foi presa em flagrante, mas liberada na sequência.
O delegado-chefe da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Civil do Paraná, Guilherme Dias, conversou com a reportagem da FOLHA e explicou que os vizinhos da suspeita acionaram a polícia após verem o animal sendo arremessado pela janela do apartamento. Momentos antes, eles teriam ouvido diversos gritos do animal, sendo que, segundo o delegado, a autora estaria torturando a gata.
O animal foi arremessado do 12° andar do prédio em direção à parede de outro bloco antes de atingir o chão, o que pode ter amortecido a queda. O animal foi resgatado por voluntários da Ong Força Animal em situação crítica. Após exames, foi identificado traumatismo cranioencefálico, contusão pulmonar e hemorragia na região da bexiga.
Suspeita não fala português
O delegado explica que os vizinhos foram até a casa da autora para compreender o que tinha acontecido no local, mas ela já estaria pronta para sair do imóvel. Segundo ele, é muito provável que ela estaria tentando fugir. A mulher, que é de origem chinesa e não fala português, foi presa em flagrante pelo crime de maus-tratos. Entretanto, foi liberada na sequência sem a necessidade do pagamento de fiança.
Ela não foi ouvida pela polícia por não haver intérpretes na delegacia no momento da prisão. “Mas no futuro ela vai poder explicar para a Justiça, de acordo com a sua língua materna, o por que ela teria praticado esse ato”, complementa o delegado.
“Em contato com familiares, eles disseram que ela não gostava de gatos”, aponta, citando que o animal vivia com a mulher e outras pessoas na casa. De acordo com o delegado, testemunhas relataram que a autora já tinha um histórico de violência contra animais.
“Existe uma parcela, mais atrasada, cruel e covarde, que acredita que animais são objetos, mercadorias e seres inferiores que podem ser submetidos a esse absurdo. Cabe a nós, a sociedade, primeiro educar as pessoas sobre a importância de ter empatia e respeito aos animais e, também, reprimir casos cruéis e covardes como esse”, afirma o delegado.
Estado de choque
A médica veterinária e presidente do Ong Força Animal, Danielly Savi, explica que a gatinha, que recebeu o nome de Pluma, chegou em estado de choque pela dor e pela situação de estresse e com uma perda muito grande de sangue. “Ela já estava há quase uma semana sem alimentação, então é uma gatinha extremamente magra, esquelética”, detalha.
Após o atendimento emergencial, ela passou por exames que indicaram um traumatismo cranioencefálico, uma contusão pulmonar por conta do impacto da batida contra o chão e uma hemorragia grave na bexiga. Apesar da gravidade, a veterinária explica que a bexiga não se rompeu, o que é positivo e não exige uma intervenção cirúrgica.
Nesse momento, Savi aponta que a gata já apresentou uma melhora e está um pouco mais alerta, mas ainda recebendo medicamentos fortes para controlar a dor. “A evolução dela está sendo lenta, ela é uma paciente grave, mas com evolução positiva. A gente acredita que ela vai, sim, vencer, porém, por conta dos traumas severos, ela tem 72 horas de risco alto de vir a óbito”, detalha a veterinária, muito emocionada. A gata tem apenas dois anos de vida.
Danielly Savi explica que a Ong Força Animal existe há mais de 15 anos e atende exclusivamente casos graves e de emergência, principalmente em parceria com a polícia nos casos envolvendo maus-tratos, rompendo as barreiras do estado do Paraná, já que o grupo esteve presente em situação de desastres ambientais, como o caso de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais, e no Rio Grande do Sul durante as enchentes.
Hoje, a Ong Força Animal cuida de mais de 300 animais, desde galos retirados de rinhas até vacas, cavalos e ovelhas vindos das mais diversas situações de maus-tratos. Para oferecer tratamento e cuidado aos animais, o grupo conta com as doações feitas pela população para manter o serviço em andamento. Para quem quiser contribuir, os valores podem ser enviados para o Pix: 29.682.985/0001-64 (CNPJ). O trabalho feito pelo grupo pode ser conferido pelas redes sociais, no @associacaogfa. Todos os animais estão disponíveis para adoção.
Marrom passa por cirurgia
O cão comunitário Marrom, que foi atropelado em Arapongas, na quinta-feira (05/02), passou por cirurgia e segue em recuperação. Ele é cuidado por moradores da Rua Cisne Negro. Um vídeo do momento do acidente dá sinais de que o atropelamento foi proposital.
Segundo o veterinário Anderson Rodrigues da Silva, por conta da fratura no osso da tíbia e da fíbula, foi inserida uma placa com sete parafusos para estabilizar a pata direita traseira. O animal está estável e se recuperando bem, sendo que já começou a se alimentar, mas a alta deve vir na segunda-feira (09/02) por conta das medicações para dor. Junto à cirurgia, Marrom também foi castrado. “É um cachorro extremamente dócil”, afirma o especialista.
Após a alta, o animal vai ficar aos cuidados da Opaa (Organização de Proteção Animal de Arapongas) e deve ir para adoção.
Em relação ao autor do atropelamento, a investigadora da Polícia Civil de Arapongas, Bianca Mendonça Dal-Cól, aponta que o veículo e o condutor já foram identificados, sendo que o trabalho agora está concentrado em localizar o suspeito. Segundo ela, foi instaurado inquérito policial e ele deve ser ouvido. A polícia também segue em busca de testemunhas do caso.