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RECOMEÇO

Gata arremessada do 12º andar de prédio em Curitiba (PR) é adotada

21 de fevereiro de 2026
6 min. de leitura
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Foto: Divulgação

A gatinha Pluma, lançada da janela do 12° andar de um prédio no centro de Curitiba no início do mês, recebeu alta após mais de duas semanas internada e pode, agora, finalmente ter a vida que merece. Ela foi adotada por uma vizinha da agressora, que viu a gata sendo lançada de uma altura superior a 40 metros.

A dreadmaker Gabriela Lima Ferreira, 30, mora no andar de baixo da suspeita do crime e viu a gata ser arremessada pela janela com tanta força que o animal chegou a bater na parede do prédio da frente. “Rapidamente subimos até o apartamento, eu já bloqueei a saída da senhora que fez isso do corredor e não deixei ela pegar o elevador”, relembra, citando ainda que o colega de apartamento foi quem levou a gata para a emergência.

Apaixonada por animais, Ferreira já tem duas gatinhas em casa. “Quando vimos que ela estava viva, nos olhamos e quase ao mesmo tempo falamos “ela vai ficar com a gente, né?” Foi amor à primeira vista”, conta. Ela explica que sonhou muito com o momento em levaria a Pluma para casa, o que lhe rendeu muito choro e alegria. “A expectativa da recuperação era altíssima, mas sabíamos dos riscos. É um alívio saber que ela vai receber todo o amor do mundo aqui”, afirma.

Ela lamenta o fato de que pessoas ainda cometem esse tipo de ato cruel contra os animais e pede justiça por parte da polícia. “Gostaria de reforçar que maus tratos é crime e que enquanto os responsáveis não forem punidos como criminosos, nossos animais não estarão seguros. A agressora da Pluma foi presa e solta horas depois. Isso não pode acontecer, é preciso que as penas não sejam tão brandas”, cobra.

Para quem torcia pela recuperação da Pluma, Gabriela Lima Ferreira afirma que todo mundo pode ficar despreocupado e sossegado, já que, a partir de agora, a gatinha vai ter uma vida repleta de amor. Segundo ela, o apartamento é todo telado e a alimentação oferecida é balanceada, com direito a sachê caseiro de frango e cenoura, além de plano de saúde. “Fora o amor, carinho e respeito que temos pelos animais”, afirma.

A dreadmaker conta que vai atualizar sempre a rotina da Pluma nas redes sociais (@ferreiragabibi) para quem quiser seguir acompanhando, já que a gatinha conquistou muitos corações.

Um milagre chamado Pluma

A veterinária Danielly Savi explica que a Pluma chegou em estado gravíssimo até a clínica, vítima de um caso brutal de maus-tratos. Após ser arremessada de um prédio, a gatinha de apenas dois anos de idade teve  múltiplas lesões, contusão pulmonar, hemorragia, traumatismo craniano e dores intensas. “Era um quadro crítico, com risco real de morte”, relembra.

Ela detalha que a gravidade do caso exigiu um atendimento de emergência, com estabilização do quadro e monitoramento contínuo por parte da equipe. “O tratamento foi longo e extremamente complexo. A Pluma permaneceu internada em terapia intensiva, recebendo suporte respiratório, controle rigoroso da dor, exames frequentes, monitoramento neurológico e acompanhamento clínico contínuo na UTI”, complementa.

Após a estabilização, a veterinária explica que foi iniciado um processo de recuperação, com cuidados intensivos e fisioterapia. “Foi um trabalho diário, técnico e muito delicado. O maior desafio foi a gravidade das lesões e a instabilidade inicial do quadro. Cada pequena melhora era uma vitória”, conta, complementando que, quando existe 1% de chance de sucesso, é nisso que toda a equipe “se agarra”.

Para Savi, a recuperação da Pluma foi um milagre diante da gravidade do trauma e do prognóstico inicial, ainda mais agora com a adoção e a ida para um novo lar, recheado de amor e carinho. “Ela se tornou um símbolo de superação e também de como o cuidado, a ciência e a compaixão podem transformar uma história que parecia ter um final trágico”, complementa.

Uma das principais preocupações da veterinária era o risco de a gata apresentar alguma sequela neurológica, mas que graças à fisioterapia ela vem se recuperando totalmente. “Ela é uma gatinha que ainda tem bastante medo de altura, então a gente segue com as fisioterapias e adaptações em casa para que ela vá perdendo o medo aos poucos”, aponta.

Crueldade

Pluma foi arremessada do 12° andar de um prédio em Curitiba no dia 5 de janeiro. O animal foi lançado pela tutora, uma imigrante chinesa, com a justificativa de que não “gostava de gatos”.

Segundo o delegado-chefe da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Civil do Paraná, Guilherme Dias, os vizinhos da suspeita acionaram a polícia após verem o animal sendo arremessado pela janela do apartamento. Momentos antes, eles teriam ouvido diversos gritos do animal, sendo que, segundo o delegado, a autora estaria torturando a gata.

Após o crime, a suspeita tentou fugir do local, mas foi impedida por vizinhos. A mulher, que é de origem chinesa e não fala português, foi presa em flagrante pelo crime de maus-tratos. Entretanto, foi liberada na sequência sem a necessidade do pagamento de fiança.

Segundo o delegado, ela não foi ouvida pela polícia na época dos fatos por não haver intérpretes na delegacia no momento da prisão. Ela segue sem ser interrogada.

Como ajudar

Danielly Savi explica que a Ong Força Animal existe há mais de 15 anos e atende exclusivamente casos graves e de emergência, principalmente em parceria com a polícia nos casos envolvendo maus-tratos, rompendo as barreiras do estado do Paraná, já que o grupo esteve presente em situação de desastres ambientais, como o caso de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais, e no Rio Grande do Sul durante as enchentes.

Hoje, a Ong Força Animal cuida de mais de 300 animais, desde galos retirados de rinhas até vacas, cavalos e ovelhas vindos das mais diversas situações de maus-tratos. Para oferecer tratamento e cuidado aos animais, o grupo conta com as doações feitas pela população para manter o serviço em andamento. Para quem quiser contribuir, os valores podem ser enviados para o Pix: 29.682.985/0001-64 (CNPJ). O trabalho feito pelo grupo pode ser conferido pelas redes sociais, no @associacaogfa. Todos os animais estão disponíveis para adoção.

“O trabalho da Ong Força Animal depende integralmente do apoio da população. Sem ajuda financeira, doações e apoio da comunidade, não conseguimos continuar salvando vidas. Hoje enfrentamos uma das maiores dificuldades financeiras desde a criação da instituição, com muitos animais internados e centenas sob nossos cuidados. A história da Pluma teve um final feliz, mas existem muitos outros animais ainda lutando pela vida. Cada resgate, cada tratamento e cada recuperação só acontecem porque alguém decidiu ajudar. Nosso trabalho é salvar vidas que não têm voz, mas precisamos que a sociedade caminhe conosco”, afirma Savi, destacando a importância que o apoio da comunidade tem no combate à violência contra os animais.

Fonte: Bonde

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