O governo francês anunciou planos para transformar a atual estação de primatologia de Rousset, no sul do país, no futuro Centro Nacional de Primatologia (CNP), aumentando de forma significativa a exploração de primatas em pesquisas científicas. O projeto prevê um investimento de 31 milhões de euros em recursos públicos e a ampliação da capacidade do local de 600 para 1.800 animais até 2029, e foi recebido com negatividade pelos parlamentares europeus.
A justificativa oficial é a chamada “soberania científica”. Após a pandemia de Covid-19, a interrupção das importações de primatas da China e da África fez os preços dispararem, chegando a até 20 mil euros por animal. Em vez de acelerar a transição para métodos alternativos, o governo opta por institucionalizar a criação e o uso intensivo de primatas em solo francês, perpetuando a exploração e os maus-tratos de animais.
Durante os testes, primatas são submetidos a confinamento, procedimentos dolorosos e, na maioria dos casos, à morte ao final dos experimentos. Em 2023, cerca de 3.500 macacos foram usados em pesquisas na França, e a grande maioria foi sacrificada, segundo dados do próprio governo.
A decisão também contradiz os compromissos da União Europeia, que preveem a eliminação progressiva da experimentação animal.
“Apostar na reprodução contínua de primatas é manter os estudos franceses presos a um paradigma obsoleto”, denuncia a Fundação Brigitte Bardot, que ressalta a falta de investimento público consistente em métodos substitutivos. Para as organizações, o problema não é a inexistência de alternativas, mas a escolha política de não priorizá-las.
A decisão também ignora a opinião pública. Pesquisas encomendadas pela ONG One Voice indicam que entre 74% e 81% dos cidadãos franceses se opõem à experimentação com animais. Ainda assim, o governo avança com um projeto que amplia o sofrimento animal e consolida uma prática cada vez mais rejeitada socialmente.