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RECOMEÇO

Filhote de orangotango se recupera em centro de resgate após ser mantida como animal doméstico em cativeiro

A jovem órfã estava presa firmemente pelo pescoço a uma caixa de madeira.

24 de fevereiro de 2026
Michael Healey
3 min. de leitura
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Foto: The Orangutan Project

Um filhote de orangotango encontrado acorrentado como animal domésticos está se recuperando em um centro de resgate na Indonésia.   

O órfão de 18 meses estava confinado a uma pequena caixa de madeira a dois metros do chão. A corda e a corrente de metal em volta do seu pescoço estavam tão apertadas que lhe causaram uma ferida profunda e aberta.    

Segundo voluntários do The Orangutan Project – a organização sem fins lucrativos que cuida dele no Borneo Alliance Rescue Centre (BORA) em Kalimantan Oriental – ele estava “apavorado”. 

Agora chamado Jack, ele passou por um exame médico completo e sua ferida está cicatrizando bem. Jack foi descrito por seus cuidadores como “gentil, doce, sempre sorrindo e cheio de curiosidade brincalhona”.  

Ele deverá ser apresentado aos outros jovens órfãos da BORA, antes de iniciar o programa Escola na Selva.   

A missão da BORA é reabilitar todos os seus orangotangos para soltá-los em áreas florestais protegidas, onde possam viver de forma independente e se reproduzir.    

Sendo uma das espécies mais inteligentes da Terra, os orangotangos podem vivenciar estados emocionais profundos de tristeza, perda e dor. Assim, Jack agora enfrenta “uma longa recuperação dos efeitos físicos e emocionais de sua infância”. 

Na natureza, os orangotangos são totalmente dependentes de suas mães durante os primeiros oito anos, período em que aprendem a escalar, buscar alimento e construir ninhos, além de desenvolver habilidades sociais e ganhar confiança.   

Centros de resgate como o BORA são cruciais, portanto, para permitir que orangotangos órfãos tenham uma chance de prosperar em seu habitat natural. 

Jack está entre os 1.500 orangotangos atualmente em centros de reabilitação em Bornéu e Sumatra. Muitos foram resgatados do comércio ilegal de animais domésticos.  

A aplicação da lei é frequentemente frágil, e investigações em Sumatra revelam que a posse de orangotangos é tipicamente feita por políticos e figuras importantes das forças armadas e da polícia. Nesse sentido, mantê-los como animais domésticos é “uma forma de o tutor demonstrar que está acima da lei”, afirma a Orangutan Republik.   

Outras pessoas são atraídas pelos rostinhos fofos e pelo temperamento dócil dos orangotangos bebês, mas, quando atingem a maturidade, esses animais podem se tornar agressivos e imprevisíveis. Por isso, muitos acabam sendo mantidos permanentemente sob controle ou simplesmente descartados/mortos por seus tutores.     

Em casos recentes, o tráfico de animais exóticos tornou-se um subproduto da perda de habitat. Deslocados e famintos, os orangotangos adultos são forçados a entrar em aldeias próximas, onde muitas vezes são mortos. Os filhotes órfãos são posteriormente vistos vagando sozinhos e acolhidos como animais domésticos.   

Embora as intenções do tutor possam ser genuínas, a maioria dos orangotangos resgatados pela Fundação Orangotango, em Kalimantan Central, acaba ficando desnutrida e/ou deprimida.  

Espera-se que, por meio de maior educação e conscientização, os moradores das aldeias alertem a organização de proteção animal local ao encontrarem um orangotango órfão.   

Além do comércio de animais domésticos e da perda de habitat, outras ameaças a esta espécie criticamente em perigo incluem a caça furtiva para consumo de sua carne e a exportação ilegal para toda a Ásia como parte da indústria do entretenimento.   

Traduzido de Species Unite.

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