A recusa dos “tutores” de cavalos de carruagem de Nova York em permitir novos exames veterinários reacendeu o debate sobre o abuso desses animais e a necessidade de fiscalização rigorosa. Operadores da indústria passaram a rejeitar exames clínicos, análises de sangue e testes de trote conduzidos por um veterinário independente aprovado pela cidade, o que gerou reação imediata de autoridades e organizações de defesa animal.
Segundo informações divulgadas pela CBS News New York, representantes do setor afirmam que o Departamento de Saúde teria informado que os exames poderiam ser recusados. Ainda assim, a postura dos operadores foi classificada por defensores dos animais como uma tentativa de impedir a avaliação real das condições de saúde dos cavalos submetidos diariamente ao trabalho em vias urbanas movimentadas, sob calor, ruído intenso e esforço físico constante.
A ONG NYCLASS realizou um protesto em frente à Prefeitura exigindo o fim das carruagens puxadas por cavalos. A diretora executiva da entidade, Edita Birnkrant, afirmou que impedir exames de saúde em animais licenciados pela cidade seria inaceitável em qualquer outro setor e que a prática deveria resultar em sanções imediatas. Para ela, não é possível alegar cuidado enquanto se bloqueia a verificação das condições reais dos animais.
Autoridades municipais também se manifestaram. O vice-prefeito Randy Mastro declarou que proprietários licenciados não podem se recusar a cumprir testes básicos destinados a avaliar se os cavalos estão sendo tratados de forma adequada. Segundo ele, a cidade discute quais medidas serão adotadas contra operadores que descumprirem as novas diretrizes.
O debate ganhou ainda mais força com a posição do prefeito eleito Zohran Mamdani, que reiterou apoio à retirada das carruagens do Central Park. Ele afirmou que pretende cumprir a promessa de encerrar a atividade, considerada por especialistas e defensores dos animais incompatível com o bem-estar dos cavalos em um ambiente urbano intenso.
Enquanto representantes da indústria afirmam que continuarão resistindo às mudanças, organizações de direitos animais reforçam que o foco deve ser a proteção de seres sencientes submetidos a uma atividade que impõe riscos físicos e emocionais.