Sem políticas de proteção ambiental, criação de corredores ecológicos e planejamento urbano responsável, a tendência é que encontros como esse se tornem mais frequentes e mais perigosos para os animais. A cidade avança cada vez mais sobre a floresta e a fauna silvestre está pagando o preço dessa ocupação.
Um vídeo gravado em São José do Rio Preto (SP) mostra o momento que um tamanduá-bandeira atravessa a rua no bairro Jardim Belvedere. As imagens mostram um motorista acenando para que os veículos atrás reduzam a velocidade e o tamanduá atravessando tranquilamente na sinalização de “PARE” desenhada no chão, como se soubesse que os motoristas precisavam parar ali.
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Casos como esse têm se tornado cada vez mais comuns e estão diretamente ligados à destruição acelerada da natureza. A expansão urbana, o avanço imobiliário e a fragmentação de matas empurram animais silvestres para corredores improvisados entre bairros, avenidas e condomínios, onde o risco de atropelamentos aumenta drasticamente.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o tamanduá foi capturado sem ferimentos e solto novamente em seu habitat.
Apesar da região ainda ser cercado por mata nativa, esses fragmentos já não oferecem espaço suficiente para garantir alimento, abrigo e deslocamento seguros para espécies como o tamanduá-bandeira. O tamanduá, que precisa percorrer grandes áreas em busca de insetos, acaba cruzando vias urbanas porque seu território foi cortado por ruas, muros e construções. O que muitos moradores acreditam ser um “passeio” é, na prática, uma tentativa de sobrevivência em um ambiente cada vez menor.