A ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas (RS), Paula Lopes, foi presa na manhã desta segunda-feira (15/06), na segunda fase da operação Carrasco, que investiga um esquema de eutanásia sem motivo contra cães e gatos resgatados.
Ela foi detida por volta das 6h na sede do instituto que leva seu nome, na zona Sul de Porto Alegre.
Dois veterinários que teriam apoiado Paula no esquema também foram detidos. São eles: Tainara Harth, que era a responsável técnica pela secretaria de Canoas durante a gestão de Paula, e Marcos Vinicius Jenisch, que tem uma clínica em Porto Alegre. Eles são suspeitos de maus-tratos e associação criminosa.
Outros três veterinários tiveram apreendidos os passaportes por decisão judicial e agora estão impedidos de sair do país. O marido de Paula também teve o passaporte recolhido.
Na chegada à delegacia nesta segunda-feira, em entrevista à Rádio Gaúcha, a secretária alegou que “não tinha eutanásias que eram feitas desnecessárias”. Segundo ela, laudos técnicos comprovam a necessidade dos procedimentos.
A polícia também cumpre 12 mandados de busca e apreensão. Três são de buscas em clínicas veterinárias onde teriam ocorrido as eutanásias a mando de Paula.
Uma policial civil que teria vazado informações sigilosas da primeira fase da operação para Paula e auxiliado com laudos falsos é alvo de dois mandados de busca.
Um deles na casa e outro na sala da delegacia em que a policial é lotada, em Porto Alegre.
Paula e Tainara já haviam sido indiciadas na primeira fase da operação Carrasco.
À época, a polícia identificou que pelo menos 498 animais foram mortos em 8 meses de administração de Paula na Secretaria de Bem-Estar Animal, em “uma matança desmedida”, segundo a investigação.
A delegada Luciane Bertoletti afirma que agora a polícia avançou na investigação e analisou contas bancárias e os celulares que haviam sido apreendidos na primeira fase.
“É uma verdadeira assassina em série, uma serial killer de animais”, declarou Bertoletti.
A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados, a suspensão de perfis em redes sociais de Paula Lopes e de um podcast que era feito por ela e a nomeação de um interventor para o Instituto Paula Lopes, após a avaliação dos animais.
Solicitados pela 3ª Delegacia de Polícia de Canas, com aval do Ministério Público, os mandados foram determinados pela 1ª Vara Regional de Garantias de Porto Alegre.
A investigação policial teve colaboração da Rede de Proteção Ambiental e Animal de Proteção Ambiental e Animal (Reprass).
O g1 procurou a defesa de Paula, Tainara e Marcos, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
Fonte: G1