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NOVA VIDA

Ex-deputada resgata 8 cães que eram usados em testes na UFMG e diz que animais viviam sem luz solar

Caso veio à tona em 2019 após denúncias; cães foram levados para abrigo em Juiz de Fora

4 de abril de 2026
Mateus Pena
3 min. de leitura
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Foto: Kátia Dias / Divulgação

Oito cães que eram usados em testes no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foram resgatados nessa quarta-feira (1º/04) pela ex-deputada federal e protetora da causa animal, Kátia Dias. O caso veio à tona em 2019, após denúncias sobre condições inadequadas de abrigamento e bem-estar. No ano passado, a então parlamentar, que é irmã do deputado estadual Noraldino Júnior (PSB) — também ativista da causa animal — passou a atuar diretamente pela retirada dos cachorros do local. Os cães — João Grilo, Chicó, Claudinho, Bochecha, Beto, Otto, Dobby e Jabuticaba — foram encaminhados para um espaço estruturado em Juiz de Fora, na Zona da Mata, organizado pelos ativistas em parceria com a ONG Ajuda.

“Esse é um caso que vem desde 2019. Foi um processo construído ao longo de muitos anos, com denúncias e mobilização de protetores, que culminou em uma atuação institucional. A condição do abrigamento era inadequada: ambiente fechado, ausência de luz solar direta, pouca interação, além de outros relatos que motivaram a ação”, afirmou Kátia.

Laudo apontou falta de bem-estar

A ex-deputada contou que esteve no local e buscou esclarecimentos junto à universidade. Ainda durante o mandato, no ano passado, ela enviou um ofício à instituição solicitando informações e sugerindo a destinação adequada dos animais. “A partir disso, foi iniciado um diálogo com a universidade para buscar uma solução que garantisse mais qualidade de vida para esses cães”, disse.

Segundo ela, denúncias foram encaminhadas à Comissão de Ética no Uso de Animais (Ceua) da UFMG, e um laudo técnico reforçou as irregularidades. “Temos um laudo médico-veterinário que constatou que os animais não estavam em um ambiente adequado e não possuíam qualidade de vida. Eles estavam em uma situação que feria os princípios do bem-estar”, destacou.

O caso também foi acompanhado pelo Fórum Nacional de Proteção Animal e já havia sido tema de reportagem anteriormente.

Resgate e nova vida

O resgate ocorreu de forma legal, com formalização da guarda e acompanhamento durante todo o processo. Os cães foram encaminhados para um espaço estruturado em Juiz de Fora, organizado pela ativista, em parceria com Noraldino Júnior e uma ONG de proteção animal.

“No novo local, eles terão acesso ao sol, convivência, alimentação adequada, higiene e acompanhamento de um veterinário especializado em comportamento animal. O objetivo principal é garantir qualidade de vida e, futuramente, possibilitar adoções responsáveis”, explicou.

‘Nunca souberam o que é carinho’

A ativista relatou que o estado emocional dos cães chamou atenção após a chegada ao novo abrigo. “Quando eles chegaram em Juiz de Fora e foram retirados das caixas de transporte, foi algo que me tocou muito. Os animais estão extremamente apáticos, demonstram uma tristeza no olhar. A sensação é de que eles não sabem o que é amor, nunca souberam o que é carinho. São muito arredios e medrosos”, contou.

“É um trabalho que exige tempo, mas o nosso objetivo agora é transformar a vida desses animais. Cada dia será importante nesse processo de recuperação, para que eles possam ter uma nova história”, completou Kátia.

Fonte: O Tempo

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