EnglishEspañolPortuguês

DEGELO

Estudos revelam como algas que crescem no gelo e na neve agravam o derretimento da Groelândia

Pesquisas mostram como funciona o mecanismo de alimentação da camada escura formada por algas no gelo da Groenlândia, que contribui para o seu derretimento

3 de fevereiro de 2026
3 min. de leitura
A-
A+
Um riacho supraglacial fluindo sobre o gelo na Groenlândia. Trechos de gelo limpo estão intercalados com gelo escurecido por algas glaciais. Foto: Jenine McCutcheon/University of Waterloo

A proliferação de algas está acelerando o processo de derretimento do gelo e da neve que cobrem a Groelândia, revelam dois novos estudos científicos. Os cientistas envolvidos observaram que o fenômeno vem sendo alimentado pelo vento — que carrega uma poeira rica em fósforo, proveniente do solo rochoso, e a deposita no gelo, onde serve de alimento para as algas, que se multiplicam. Como consequência, as manchas escuras que as algas provocam na camada branca de gelo e neve bloqueiam a capacidade do gelo de refletir o calor do sol, acelerando o derretimento.

“Há muitos fatores diferentes que contribuem para o derretimento da camada de gelo, e este projeto tentou analisá-los individualmente”, disse Jenine McCutcheon, professora assistente da Universidade de Waterloo e autora principal de um dos estudos, publicado na revista Environmental Science and Technology em 13 de janeiro, ao New York Times.

Esquema ilustra como poeira de rochas levada pelo vento se deposita no gelo e a neve, favorecendo a proliferação das algas e escurecendo estas superfícies. Foto: Reprodução do artigo

As algas são responsáveis ​​por cerca de 13% do escoamento da água do degelo no sudoeste da Groenlândia, afirma a Dra. McCutcheon. Essa área é uma das que derretem mais rapidamente e abriga uma zona escura bem documentada. E este estudo revelou que o local era formado por florações de algas alimentadas por nutrientes locais.

Outro estudo complementar, publicado em 28 de janeiro na revista Nature Communications, mostra que esses nutrientes transportados pelo vento provavelmente se incorporaram a cada camada de gelo e neve à medida que estes congelam, e assim vão se acumulando ao longo do tempo. Os pesquisadores deste estudo é que descobriram que o fósforo e o nitrogênio são liberados quando a paisagem congelada derrete durante os verões árticos, fornecendo uma fonte de alimento para as algas. Mesmo quantidades extremamente pequenas de nutrientes, encontradas nas profundezas do gelo, eram suficientes para sustentar o crescimento de algas, revelou a pesquisa.

Caso a camada de gelo da Groenlândia desaparecesse completamente, uma possibilidade sugerida por alguns estudos realizados anteriormente, o nível do mar poderia subir 7 metros, submergindo cidades costeiras em todo o mundo.

Os dois artigos indicam um “duplo golpe”, disse Liane Benning, biogeoquímica do Centro Helmholtz de Geociências GFZ, na Alemanha, e autora em ambos os artigos. A cada ano, conforme o gelo continua a derreter e liberar nutrientes, ela espera que as algas se alastrem ainda mais.

“Isso é uma consequência do derretimento. Quanto mais o solo derrete, mais elas florescem. Mas elas não são a causa do aquecimento global. Na verdade, deveríamos apenas mudar nossos hábitos e não queimar tantos combustíveis fósseis”, conclui.

Fonte: Um só Planeta

    Você viu?

    Ir para o topo