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COMPORTAMENTO

Estudo revela que babuínos sentem ciúmes da mesma forma que os humanos

Cientistas descobriram que os filhotes de babuínos ficam com ciúmes das sessões de catação entre mãe e irmão, com padrões de comportamento que "ecoam de forma impressionante as observações feitas em crianças".

21 de fevereiro de 2026
Michael Healey
3 min. de leitura
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Foto: Axelle Delaunay

Um novo estudo revelou que os babuínos jovens sentem ciúmes e se comportam de maneira muito semelhante às crianças. 

Os cientistas observaram que os filhotes eram mais propensos a tentar chamar a atenção da mãe quando ela estava envolvida em uma sessão de higiene com um irmão, em vez de quando ela estava socialmente disponível.  

Esse comportamento disruptivo variava desde solicitações e proximidade excessiva até mordidas, tapas e acessos de raiva. 

“A interferência entre irmãos em babuínos chacma espelha de forma impressionante os padrões de ciúme entre irmãos relatados em humanos”, segundo o artigo publicado na Proceedings B, revista de pesquisa biológica da Royal Society. 

Cientistas de instituições britânicas, finlandesas, francesas e de Nairóbi passaram cinco meses monitorando dois grupos de babuínos-chacma selvagens no Parque Natural de Tsaobis, em Nairóbi. Havia dezesseis famílias vivendo nos grupos, com um total de 49 irmãos jovens com idades entre 0 e 9 anos. 

De acordo com o estudo, os filhos tinham o dobro da probabilidade de atacar irmãos mais novos e do mesmo sexo. Além disso, os filhos eram mais propensos a interferir com irmãos que recebiam uma quantidade desproporcional de cuidados maternos. Isso sugere que eles percebem e reagem ao favoritismo materno. Por fim, quanto mais velha a criança fica, menor a probabilidade de interromper um momento de interação entre os irmãos. 

“Embora não possamos perguntar a eles como se sentem, sabemos que as emoções provocam mudanças fisiológicas, comportamentais e algumas cognitivas – e isso pode ser medido”, disse a Dra. Axelle Delaunay, uma das autoras do estudo.   

O ciúme parecia ser a única explicação lógica; hipóteses alternativas de que o comportamento disruptivo fosse realizado com a intenção de receber “cuidado” da mãe ou “acolhimento do irmão” foram rejeitadas.   

“A descoberta de ciúme demonstrável entre os babuínos chacma fornece algumas das evidências mais fortes até agora de que os primatas podem sentir emoções complexas”, disse Annie Roth, jornalista especializada em ciência e vida selvagem.  

Os babuínos foram escolhidos para o estudo porque, assim como os humanos, seus filhotes têm um longo período de desenvolvimento e formam laços fortes e duradouros com a mãe.  

Além disso, enquanto os machos abandonam o grupo após a puberdade, as fêmeas permanecem nele por toda a vida, dando à luz a cada dois anos. Com tantos filhotes crescendo lado a lado, esses animais altamente sociais são perfeitos para monitorar rivalidades entre irmãos. 

Embora esta não seja a primeira vez que cientistas estudam o ciúme em primatas não humanos, os esforços anteriores tenderam a se concentrar no ciúme sexual, usando cenários “indutores de ciúme” em animais enjaulados.  

Traduzido de Species Unite.

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