A análise genética de fezes de elefantes asiáticos ameaçados de extinção revelou uma população maior do que se pensava nas planícies do norte do Camboja, além de insights sobre sua distribuição geográfica – informações que podem ajudar a evitar sua extinção.
O estudo, realizado pela organização de proteção Fauna & Flora e pesquisadores do Camboja e da Escócia, estimou que existem 51 elefantes asiáticos nas reservas vizinhas de Prey Lang, Preah Roka e Chhaeb – cerca de um décimo da população selvagem do Camboja. Antes da pesquisa, estimativas baseadas em relatos sugeriam entre 20 e 30 indivíduos.
Além disso, essa população apresenta maior diversidade genética do que outras no país, um fator crucial para sua sobrevivência a longo prazo, pois descende de duas linhagens antigas e geograficamente distintas, segundo o estudo publicado este mês.
Apesar de parecer uma notícia positiva, o panorama geral para essa espécie emblemática, central para as culturas do Sudeste Asiático, ainda é sombrio. O estudo afirma que pode ser necessária uma população de mais de mil animais para evitar endogamia e garantir sua sobrevivência além de um século.
“As estimativas populacionais deste estudo mostram que os elefantes nesta região estão em uma situação extremamente precária, com números muito abaixo do necessário para a continuidade da espécie”, diz o estudo.
A população de elefantes asiáticos no Camboja é estimada entre 400 e 600 indivíduos na natureza. Além da perda de habitat, eles também enfrentam os impactos das mudanças climáticas em seu ambiente.
Ao coletar amostras de fezes e realizar análises genéticas, os pesquisadores conseguiram identificar o número de machos e fêmeas, bem como a ancestralidade dos animais.
A análise mostrou que alguns elefantes se deslocam entre as reservas de Preah Roka e Chhaeb, mas não entre essas áreas e Prey Lang, evidenciando a perigosa fragmentação das populações e a importância de expandir áreas de proteção.
“À medida que a vida selvagem em todo o mundo fica confinada a habitats cada vez menores e degradados, o manejo de populações pequenas e fragmentadas se torna cada vez mais crítico”, disse Pablo Sinovas, diretor da Fauna & Flora no Camboja.
“Apesar de seu tamanho reduzido, essa população ainda mantém alta diversidade genética”, afirmou ele em um comunicado. “Combinado com o habitat significativo que estimamos ainda existir, isso oferece uma rara e valiosa oportunidade para sua recuperação.”
Alex Ball, gerente de proteção da Royal Zoological Society of Scotland, disse que os pesquisadores esperam aplicar os métodos utilizados no estudo em todo o Camboja e em outros países.
O objetivo é obter um panorama mais claro do número de elefantes asiáticos, “o que ajudará a definir a melhor forma de trabalhar para reverter o declínio desses animais espetaculares”, afirmou.