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SAÚDE

Estudo espanhol aponta novo biomarcador promissor para diagnóstico da leishmaniose em gatos

Detecção inédita de imunocomplexos circulantes em felino naturalmente infectado por Leishmania infantum pode contribuir para diagnóstico e monitoramento da doença

7 de março de 2026
2 min. de leitura
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Foto: Freepik

Um estudo conduzido por pesquisadores na Universidade de Zaragoza identificou um possível novo biomarcador para a leishmaniose em gatos.

Pela primeira vez, foi documentada a detecção de imunocomplexos circulantes em um felino naturalmente infectado por Leishmania infantum, resultado que pode contribuir para aprimorar o diagnóstico e o acompanhamento terapêutico da enfermidade.

A leishmaniose felina é uma zoonose transmitida por vetores e causada por L. infantum.

Embora os cães sejam considerados o principal reservatório vertebrado, os gatos também podem desenvolver infecção e apresentar manifestações clínicas associadas.

Imunocomplexos circulantes já são investigados em cães

Em cães, títulos elevados de anticorpos anti-Leishmania costumam estar associados a quadros clínicos mais graves.

Uma das explicações envolve a hipergamaglobulinemia, que pode favorecer a formação de imunocomplexos circulantes.

Esses complexos podem se depositar em tecidos e desencadear lesões imunomediadas, como glomerulonefrite e insuficiência renal.

Por esse motivo, a detecção de imunocomplexos circulantes vem sendo estudada na leishmaniose canina como um possível biomarcador útil tanto para o diagnóstico quanto para o monitoramento da doença.

Até então, porém, não havia testes específicos voltados para a mensuração desses complexos em gatos.

Estudo descreve primeiro caso em felino naturalmente infectado

A investigação foi conduzida por uma equipe multidisciplinar formada por pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Zaragoza, da LETI Pharma, do Centro Severo Ochoa de Biologia Molecular e da Universidade Autónoma de Barcelona, em colaboração com a Urano Vet.

O estudo descreve o caso de um gato europeu de pelo curto, esterilizado, com oito anos de idade, proveniente da Espanha.

A principal manifestação clínica associada à infecção foi uveíte unilateral.

A confirmação da infecção por Leishmania foi obtida por meio de diferentes métodos diagnósticos, incluindo teste imunocromatográfico rápido positivo, ensaio imunoenzimático (ELISA), reatividade ao Western Blot anti-Leishmania, teste molecular realizado em sangue e humor aquoso, além de cultura parasitária tipificada como L. infantum.

Desenvolvimento de teste específico para avaliação do biomarcador

Para possibilitar a análise do novo marcador, os pesquisadores desenvolveram um ELISA específico para detecção de imunocomplexos circulantes em gatos.

O teste permitiu medir de forma longitudinal os níveis desse biomarcador durante o acompanhamento do caso clínico.

Durante o tratamento, o animal recebeu alopurinol (20 mg/kg a cada 24 horas) associado ao uso de anti-inflamatórios tópicos.

Após cerca de 30 dias, houve resolução da uveíte e melhora paralela da atividade e dos sinais clínicos oculares.

Os resultados indicam que a detecção de imunocomplexos circulantes pode representar uma ferramenta promissora para apoiar o diagnóstico e o monitoramento terapêutico da leishmaniose felina, embora novos estudos sejam necessários para validar o uso desse marcador em maior escala.

Fonte: Cães&Gatos

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