EnglishEspañolPortuguês

ESTUDO

Estudo dos Estados Unidos revela que o aumento do calor acumulado na Terra está relacionado a mudanças nas nuvens

1 de janeiro de 2026
3 min. de leitura
A-
A+
Foto: Ilustração | Pixabay

Um estudo recente publicado na revista Science Advances, realizado por pesquisadores da Rosenstiel School of Marine, Atmospheric, and Earth Science da Universidade de Miami, traz novas evidências sobre o aumento do calor na Terra e suas causas. O trabalho conclui que o planeta acumula cada vez mais calor não pela redução de aerossóis poluentes, como se pensava, mas por mudanças na refletividade das nuvens e uma maior absorção de radiação solar.

O que é o desequilíbrio energético da Terra?

Este parâmetro mede a diferença entre a energia solar que o planeta absorve e a que devolve ao espaço. É um indicador chave para compreender a evolução do clima e o ritmo ao qual se acumula calor no sistema climático.

Entre 2003 e 2023, os dados mostram que a Terra acumulou cerca de 0,51 watts a mais por metro quadrado a cada década, o que significa que o planeta absorve mais energia do que libera. A radiação térmica emitida mal mudou, o que reforça a ideia de que o aumento provém de uma maior entrada de luz solar.

O papel dos aerossóis

Tradicionalmente, os cientistas haviam atribuído parte do aumento do desequilíbrio energético à redução de aerossóis — pequenas partículas em suspensão que provêm de fontes naturais e humanas. Essas partículas refletem a luz solar e favorecem a formação de nuvens, reduzindo a energia presa no sistema climático.

No entanto, o estudo conclui que nos últimos anos seu impacto foi praticamente nulo. Os pesquisadores analisaram dois tipos de medições:

  • Um índice de aerossóis obtido por satélites, que mede quantidade e tamanho de partículas.
  • A concentração de sulfato, calculada a partir de modelos atmosféricos.

Ambos os métodos coincidiram em um padrão: diminuição de aerossóis no hemisfério norte e aumento no hemisfério sul. Isso gerou uma compensação hemisférica que neutralizou o efeito global.

Eventos naturais e compensação hemisférica

No hemisfério norte, a redução de aerossóis se deveu principalmente a leis ambientais que melhoraram a qualidade do ar em zonas industrializadas. No hemisfério sul, em contrapartida, eventos naturais como os incêndios florestais na Austrália (2019-2020) e a erupção do vulcão Hunga Tonga–Hunga Ha’apai (2022) liberaram grandes quantidades de partículas na atmosfera.

Este “ato de equilíbrio” hemisférico explica por que os aerossóis não tiveram um impacto significativo no aumento do desequilíbrio energético global.

Os verdadeiros motores do aquecimento

Os autores do estudo, entre eles Brian Soden e Chanyoung Park, destacam que a atenção deve se concentrar nas mudanças no comportamento das nuvens e na variabilidade climática natural. A evidência acumulada indica que as interações entre aerossóis e radiação ou entre aerossóis e nuvens tiveram uma contribuição insignificante nas tendências recentes.

Park sublinhou que essa clareza favorece um melhor planejamento climático e decisões políticas mais informadas: “Embora o hemisfério norte possa experimentar certo aquecimento regional pela redução de aerossóis, isso não se traduz em um impacto global significativo”.

Implicações para a ciência e as políticas climáticas

O estudo adverte que os modelos climáticos devem incorporar com maior precisão as fontes naturais de aerossóis e sua variabilidade, para evitar superestimar o papel da poluição do ar no aquecimento global.

A conclusão principal é que o aumento do desequilíbrio energético terrestre se explica em maior medida pela redução na refletividade das nuvens e a maior absorção de radiação solar, mais do que pelos aerossóis.

Esta descoberta redefine a compreensão do aquecimento global e coloca novos desafios para a pesquisa climática. A chave está em estudar como as mudanças nas nuvens refletem ou absorvem energia solar, e como a variabilidade natural do clima influencia esse processo.

Cada avanço na medição e análise do desequilíbrio energético da Terra permite melhorar a comunicação pública, o planejamento climático e as políticas ambientais, em um contexto onde compreender as verdadeiras forças por trás do aquecimento é essencial para enfrentar o futuro.

Fonte: Noticias Ambientales

    Você viu?

    Ir para o topo