Biólogos de Londres trabalham para restaurar colônia vulnerável de rãs-de-Darwin ameaçadas de extinção, do outro lado do mundo. Em uma missão de resgate de emergência em um remoto parque nacional chileno, os conservacionistas resgataram recentemente 53 rãs adultas de um fungo mortal que assola o habitat natural da colônia.
Em outubro de 2024, pesquisadores da Zoological Society of London (Sociedade Zoológica de Londres) resgataram as rãs no Parque Tantauco, localizado no extremo sul da Ilha de Chiloé, no Chile. O parque abriga uma infecção fúngica mortal chamada quitridiomicose (ou fungo quitrídio).
Segundo o YaleEnvironment360, o fungo quitrídio causa uma infecção letal que suprime a resposta imunológica das rãs. Ele primeiro ataca a pele do anfíbio, uma barreira essencial que auxilia na respiração e mantém a saúde geral.
Conforme a doença avança, as funções motoras da rã falham e ela começa a ter dificuldade para respirar. Por fim, o animal morre de infarto. As rãs-de-Darwin são altamente suscetíveis ao fungo e frequentemente morrem em poucas semanas após a infecção.
De acordo com The Guardian, o fungo quitrídio tem sido um problema global nas últimas três décadas, exterminando pelo menos 90 espécies e ameaçando centenas de outras. Especialistas o chamam de “a doença infecciosa mais devastadora já documentada em animais”.
Monitoramentos recentes indicaram um declínio de 90% na população de rãs-de-Darwin no Parque Tantauco devido ao fungo. “Percebemos que a situação estava muito, muito ruim”, disse o Dr. Andrés Valenzuela-Sánchez, pesquisador da Sociedade Zoológica de Londres, ao The Guardian. “Rapidamente decidimos que precisávamos agir. Era necessário um resgate emergencial.”
Um documentário intitulado “A Leap of Hope” (“Um Salto de Esperança”, em tradução livre) registra parte do delicado e difícil resgate. Além de estarem em uma ilha remota, cercadas por vegetação densa que as camuflava, as rãs são extremamente pequenas: medem menos de 3 cm e pesam apenas 2 gramas, segundo o London Zoo.
Das 55 rãs coletadas no parque, duas estavam infectadas. As outras 53 foram transportadas em uma jornada de 12,8 mil km por avião, barco e van até Londres. Lá, foram alojadas em um centro de reabilitação que replica seu ambiente natural, com temperaturas sazonais, chuva regular, iluminação adequada e folhagem similar.
Agora adaptadas, 11 machos resgatados já liberaram 33 filhotes no habitat, iniciando uma nova geração de rãs saudáveis. Os machos da espécie carregam os girinos em seus sacos vocais até que se desenvolvam, liberando-os pela boca quando estão prontos.
Os conservacionistas consideram essa nova geração um “marco importante” em sua missão. “Temos os fundadores, os primeiros adultos, e agora esta primeira geração de filhotes nascidos no centro”, disse Valenzuela-Sánchez.
Os pesquisadores planejam continuar a reprodução para aumentar a população, enquanto investigam tratamentos e estratégias de proteção contra o fungo quitrídio.
O fungo parece prosperar em condições causadas por temperaturas globais instáveis, embora os estudos sejam conflitantes. Alguns sugerem que mudanças climáticas, como calor extremo e seca, podem enfraquecer o sistema imunológico das rãs, tornando-as mais vulneráveis. Outros apontam que o calor pode ser um antídoto, propondo as chamadas “saunas para rãs” — pequenas estruturas de tijolo cobertas por estufas e expostas ao sol — que ajudariam os animais a combater a infecção.
Com mais pesquisas, os conservacionistas esperam desenvolver tratamentos e, um dia, devolver as rãs-de-Darwin ao seu habitat natural.