EnglishEspañolPortuguês

MAIS CASOS

Especialistas apontam conexão entre avalanche que matou oito nos EUA e mudanças climáticas

Neve fresca é mais instável: oeste do país passa por uma "seca de neve", com quantidade acumulada em níveis recorde de baixa

22 de fevereiro de 2026
Renata Turbiani
3 min. de leitura
A-
A+
Equipe faz busca por esquiadores pegos em avalanche na Califórnia (EUA). Foto: Reprodução

Na terça-feira (17/02), oito esquiadores morreram vítimas de uma avalanche em uma montanha na Serra Nevada, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos. Um nono ainda está desaparecido. Essa avalanche é considerada o evento isolado mais mortal no país em 45 anos.

Especialistas consultados pelo The Guardian afirmam que as várias semanas de “seca de neve” no oeste dos Estados Unidos são impulsionadas pela crise climática e contribuíram para a tragédia. A reportagem destaca que o risco de avalanche tornou-se severo depois que vários metros de neve fresca caíram desde domingo, quando o grupo de esquiadores iniciou sua viagem, assentando sobre uma camada anterior que havia endurecido, tornando-a instável e facilmente desencadeada.

Craig Clements, professor de meteorologia da Universidade Estadual de San José, no norte da Califórnia, explicou que a neve nova não teve tempo de “se ligar” à camada anterior antes da avalanche, formando algo conhecido como “placa de tempestade”.

“Como está localizada em uma montanha, ela irá deslizar quando provocada por qualquer mudança na tensão acima ou abaixo, às vezes naturalmente, mas também devido à passagem de pessoas pela área”, disse Clements.

Ele acrescentou que, se tivesse havido queda de neve mais constante durante todo o inverno, as diferentes camadas poderiam ter se unido com mais facilidade, e que, quando uma placa de neve se forma, o perigo geralmente dura apenas alguns dias, até que a neve se estabilize.

Outros cientistas apontaram que a quantidade de neve acumulada em níveis recorde de baixa no oeste nesta temporada deve-se principalmente ao calor intenso na região, que está ligado à crise climática, causada principalmente pela queima de combustíveis fósseis.

Daniel Swain, cientista climático do Instituto de Recursos Hídricos da Universidade da Califórnia, disse ao The Guardian que grande parte da precipitação que normalmente cairia como neve e permaneceria nas montanhas por meses está, em vez disso, caindo como chuva, que escoa mais rapidamente.

“Estava tão quente, especialmente em dezembro, que a neve só caía nas partes mais altas das montanhas. Depois, em janeiro, o tempo ficou muito seco em quase todos os lugares durante as últimas três ou quatro semanas, e o calor se manteve”, complementou Daniel McEvoy, pesquisador do Centro Climático Regional Ocidental.

Fonte: Um só Planeta

    Você viu?

    Ir para o topo