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EXPLORAÇÃO

Espanha lidera número de animais marinhos aprisionados em aquários na União Europeia

Levantamento aponta impactos físicos, psicológicos e sociais do confinamento e destaca que o país segue autorizando reprodução em cativeiro e novas licenças, apesar do avanço de proibições em outras nações europeias.

7 de janeiro de 2026
Júlia Zanluchi
3 min. de leitura
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Foto: Pixabay

Enquanto outros países estão proibindo os aquários e espetáculos envolvendo cetáceos, como golfinhos, belugas e orcas, a Espanha continua sendo um dos piores países quando o assunto é proteção de animais marinhos. O país possui o maior número de delfinários na União Europeia e mantem cerca de 100 animais aprisionados para este fim.

Um levantamento conduzido pela FAADA (Fundación para el Asesoramiento y Acción en Defensa de los Animales) entre 2023 e 2025 aponta que as orcas, os golfinhos e as belugas são forçados a executar saltos, piruetas e cumprimentos ao som de músicas que podem ultrapassar 80 decibéis. Em diversos aquários, o público também é incentivado a tocar os animais ou nadar com eles, ampliando a importunação sofrida.

Embora a Espanha tenha proibido a exploração de animais selvagens em circos em 2023, os parques marinhos não foram incluídos na legislação, mesmo que, em ambos os casos, os animais sejam forçados a se apresentar.

As limitações físicas das instalações estão entre os principais problemas. Algumas piscinas têm apenas cinco metros de profundidade e cerca de 28 metros de comprimento. Já na natureza, golfinhos percorrem mais de 100 quilômetros por dia e orcas podem se deslocar até 150 quilômetros. No tanque de concreto, as ondas sonoras emitidas pelos animais ricocheteiam nas paredes, criando um efeito de “salão de espelhos” que pode deixá-los perturbados.

O confinamento provoca estresse crônico, frustração e comportamentos repetitivos conhecidos como estereotipias, caracterizados por movimentos circulares constantes, indicando sofrimento emocional e físico. Também são comuns quadros de ansiedade, depressão, perda de apetite e feridas na pele, além de infecções associadas ao cloro e à exposição contínua à luz artificial.

Orcas e belugas são consideradas especialmente vulneráveis. Adaptadas a águas profundas e frias, elas sofrem alterações fisiológicas em piscinas pequenas e aquecidas. Sua audição sensível é afetada pelo ruído constante dos espetáculos, e o sistema imunológico tende a enfraquecer em ambientes artificiais.

Outro impacto significativo é a ruptura da estrutura social desses animais. Na natureza, golfinhos vivem em grupos cooperativos, com laços duradouros e papéis definidos. Em cativeiro, separações forçadas e agrupamentos artificiais são comuns, o que pode gerar agressividade, isolamento e perda de vínculos familiares.

No mar, a expectativa de vida da maioria dos cetáceos está entre 40 e 50 anos, enquanto em cativeiro eles não chegam aos 20 anos de idade.

Atualmente, 14 nações da Europa, como o Reino Unido, a Noruega e Luxemburgo, já proibiram e fecharam os parques marinhos, e a França anunciou a proibição de espetáculos com cetáceos a partir de 2026. Ainda assim, a Espanha continua a autorizar a reprodução desses animais em cativeiro e a abertura de novas instalações.

Cidades como Puerto de la Cruz, Calvià e Palafolls ainda mantêm delfinários em funcionamento, ao passo que Barcelona já se declarou livre de cetáceos em cativeiro.

Por isso, ativistas pedem que a Espanha adote um plano nacional para eliminar gradualmente os parques marinhos, com proibição imediata da reprodução, fim de novas licenças, fiscalização rigorosa e transição para santuários marinhos.

A ONG Seaspiracy criou um projeto para enviar e-mails prontos para o governo espanhol pedindo o fim dos delfinários e a liberdade dos animais explorados. Para ajudar, é só clicar nesse link.

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