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FIM DA EXPLORAÇAO

Escócia e País de Gales proíbem corridas de galgos após denúncias de mortes e maus-tratos

11 de abril de 2026
Redação ANDA
2 min. de leitura
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Milhares de cães são feridos e centenas são mortos pela indústria de corridas de galgos a cada ano – Foto: OneKind

Escócia e País de Gales deram um passo histórico ao aprovarem medidas para proibir as corridas de galgos, prática há anos denunciada por organizações de proteção animal. A decisão escocesa foi tomada apenas 24 horas após o parlamento galês aprovar proposta semelhante, reacendendo o debate no Reino Unido, onde a atividade ainda permanece legal na Inglaterra e na Irlanda.

Dados da organização Animal Aid UK apontam que mais de 4 mil cães morreram ou foram submetidos à eutanásia dentro da indústria entre 2017 e 2024. Os animais são frequentemente expostos a condições extremas, incluindo dopagem forçada. Em um único ano, 13 cães testaram positivo para cocaína na Escócia. Já a League Against Cruel Sports registrou que 3.809 galgos sofreram lesões em 2024, o equivalente a quase um quarto de todos os explorados nas corridas, além de ao menos 123 mortes nas pistas.

O último hipódromo ativo da Escócia, o Thornton Stadium, em Fife, foi fechado no ano passado. No País de Gales, resta apenas uma pista em funcionamento, em Caerphilly. Uma tentativa da Greyhound Board of Great Britain de barrar a proibição no território galês foi rejeitada pela Justiça poucos dias após ser apresentada.

Os eurodeputados escoceses votaram pela proibição das corridas de galgos apenas 24 horas depois que o Welsh Senedd aprovou um projeto semelhante

A implementação da proibição no País de Gales pode ocorrer entre abril de 2027 e abril de 2030. Já na Escócia, a legislação prevê punições severas para quem insistir na prática, com penas que podem chegar a cinco anos de prisão e multas de até 20 mil libras.

O projeto escocês foi apresentado pelo parlamentar verde Mark Ruskell, que denunciou a violência inerente às corridas. Segundo ele, forçar esses animais a correr em alta velocidade em pistas ovais resulta em fraturas, lesões na coluna, paralisia e traumas graves.

Organizações reunidas na coalizão Unbound the Greyhound celebraram a decisão como uma vitória coletiva após anos de mobilização. Para ativistas, a medida representa um reconhecimento de que esses indivíduos não podem mais ser tratados como mercadorias.

Representantes da organização OneKind destacaram que a conquista só foi possível graças à união entre entidades e à pressão da sociedade. Também reconheceram o papel do governo escocês por considerar evidências e ouvir a população.

A decisão envia um recado claro. Galgos não são instrumentos de lucro. São indivíduos com interesses próprios, capazes de sentir dor, medo e afeto, e que merecem viver longe da exploração e da violência.

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