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CRISE CLIMÁTICA

Épocas de incêndios florestais estão começando a sobrepor pelo planeta; entenda perigo que isso representa

Estudo mostra que a crise climática está fazendo regiões diferentes do mundo queimarem ao mesmo tempo, reduzindo a possibilidade de cooperação internacional entre equipes de emergência

4 de março de 2026
Nilson Cortinhas
3 min. de leitura
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Uma vista aérea mostra casas destruídas enquanto pelo incêndio em Palisades, em Los Angeles, em 2025. Foto: Getty Images

A crise climática está alterando não apenas a intensidade dos incêndios florestais, mas também a capacidade global de resposta a eles. Reportagem publicada pelo The New York Times, com base em estudo divulgado na revista científica Science Advances, aponta que as temporadas de incêndios em diferentes regiões do planeta estão começando a ocorrer simultaneamente — o que pode limitar o compartilhamento internacional de brigadistas, aeronaves e equipamentos de combate ao fogo.

A pesquisa mostra que as condições climáticas extremas que favorecem incêndios, como ondas de calor, secas prolongadas e baixa umidade, estão ocorrendo em mais dias ao longo do ano. Como consequência, períodos historicamente alternados de queimadas passam a se sobrepor entre continentes.

Durante décadas, essa diferença sazonal permitiu uma espécie de cooperação global no enfrentamento das chamas. Em janeiro de 2025, quando incêndios atingiram a região de Los Angeles por semanas, Canadá e México enviaram bombeiros e apoio logístico. Em 2023, durante grandes queimadas na Espanha e em Portugal, países distantes, como a África do Sul, também contribuíram com equipes especializadas.

De acordo com o cientista climático Cong Yin, da Universidade da Califórnia em Merced e autor principal do estudo, essa dinâmica pode mudar rapidamente.

“Se a temporada de incêndios aumenta e começa a se sobrepor, a janela de oportunidade para que os países ajudem uns aos outros diminui”, afirmou ao jornal dos EUA.

De acordo com ele, as mudanças observadas estão diretamente associadas ao aquecimento global.

O compartilhamento internacional de recursos funciona como uma rede de segurança diante de grandes emergências ambientais. Quando diferentes regiões enfrentam incêndios simultaneamente, essa flexibilidade operacional desaparece, pressionando sistemas nacionais já sobrecarregados.

Diferentemente de pesquisas anteriores, focadas em países ou regiões específicas, o novo estudo analisou padrões globais de clima favorável ao fogo e identificou uma tendência consistente de expansão simultânea do risco. O resultado aponta para um cenário em que incêndios extremos podem ocorrer ao mesmo tempo na América do Norte, América do Sul, Europa e Oceania.

Para os pesquisadores, o avanço das temporadas de fogo transforma os incêndios florestais em um risco climático global, com impactos que ultrapassam fronteiras e desafiam a capacidade internacional de resposta a desastres.

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