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"BOCA DO LOBO"

Enchente histórica: estádio mais antigo do Brasil vira abrigo para cães no Rio Grande do Sul

10 de maio de 2024
3 min. de leitura
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Foto: Divulgação

O Estádio Boca do Lobo, o mais antigo do país, com 115 anos, tornou-se refúgio para cães em Pelotas, em meio às enchentes que deixaram um rastro de destruição no Rio Grande do Sul.

O município gaúcho, com uma população de cerca de 325 mil pessoas, é um dos 428 afetados pelas fortes chuvas (de um total de 497 cidades no Estado) que deixaram 107 pessoas mortas, afetaram mais 1,4 milhão de pessoas e atingiram também um número ainda não calculado de animais domésticos, selvagens e de produção.

Pelotas fica às margens do Canal São Gonçalo, que liga as lagoas dos Patos e Mirim. A área foi severamente castigada nos últimos dias.

De propriedade do Esporte Clube Pelotas, a Boca do Lobo recebeu centenas de animais desde a abertura do “Canil Solidário”.

Foto: Divulgação

A iniciativa partiu de um grupo de associados do clube, capitaneados pelo vice-presidente, Vinícius Braga Conrad. O primeiro acolhimento foi registrado às 17h de terça-feira (7/5), e nas horas seguintes o movimento cresceu a ponto de surpreender os próprios responsáveis.

“O acolhimento começou de forma pequena, e agora temos praticamente toda a arquibancada ocupada”, afirmou Conrad à BBC News Brasil na manhã de quarta-feira (8/5).

“Tivemos a ideia pela manhã, no início da tarde tudo já estava em execução e antes mesmo do anúncio nas redes, já havia filas de pessoas querendo deixar seus pets.”

A adesão foi tão grande que, neste momento, o clube estabeleceu uma triagem mínima.

“Se for preciso, a gente consegue se mobilizar e acomodar mais animais. Temos estrutura para abrigar o máximo. Mas, paralelamente, avisamos que há outros locais, alguns destinados somente a cães, outros a gatos”, explica Conrad.

O dirigente, que participa de ações de evacuação de moradores há quatro dias, está à frente de uma equipe multidisciplinar que inclui veterinários, professores universitários e voluntários.

Muitas vezes, Conrad e seus colaboradores recebem chamados pelas redes sociais e deslocam-se para recolher os animais.

Ao chegar ao estádio, os cães são examinados e recebem medicação contra pulgas e vermes.

“Cuidados com a saúde e o bem-estar animal são necessários para que, na intenção de ajudar, não se crie um problema maior com a disseminação de doenças”, explica o vice-presidente do Pelotas.

A iniciativa tem o apoio da prefeitura e de outros órgãos públicos.

A Boca do Lobo foi inaugurada em 11 de outubro de 1908, em uma partida entre o Pelotas e o Rio Grande, do município vizinho homônimo.

Foto: Divulgação

O apelido surgiu da localização entre duas ruas com traçado que lembra as mandíbulas abertas do animal, e acabou sendo adotado como nome oficial.

O local, com capacidade para 23 mil espectadores, chegou a receber em 1994 um amistoso do clube contra a seleção da Rússia, que enfrentaria naquele ano a seleção brasileira na Copa do Mundo dos Estados Unidos.

Apelidado Lobão e Áureo-cerúleo (em razão das cores amarela e azul), o Pelotas foi campeão gaúcho por duas vezes, em 1911 e 1930.

Hoje, disputa a segunda divisão do campeonato estadual.

Pelotas enfrenta uma situação dramática desde que a cheia atingiu o município, há dois dias. Na segunda-feira (6/5), alguns bairros às margens do Canal São Gonçalo já registravam alagamentos.

Na manhã de quarta (8/5), a orla da Praia do Laranjal, distrito do município às margens da Lagoa dos Patos, já estava completamente submersa.

A prefeitura havia determinado a evacuação de 20 localidades do município. Três abrigos acolhiam mais de 140 pessoas.

Fonte: BBC

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