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PERDAS INESTIMÁVEIS

Em nove meses: mais de mil elefantes, zebras e búfalos morreram por causa da seca no Quênia

País africano também registrou a morte de 2,5 milhões de bois, vacas e bezerros

11 de novembro de 2022
3 min. de leitura
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Foto: Fredrik LERNERYD/AFP

Mais de mil elefantes, zebras, gnus, búfalos e outros animais morreram nos últimos nove meses no Quênia em consequência da pior seca que este país e o Chifre da África conheceram nos últimos 40 anos. Isso foi revelado pelo Ministério do Turismo e Vida Selvagem do país em um relatório publicado na sexta-feira, que enfatiza não apenas a escassez de pontos de água, mas também a perda de vegetação, que afeta especialmente os herbívoros. O governo tenta combater o problema cavando poços e transportando água para barragens e reservatórios secos.

“Os guardas florestais do Serviço de Vida Selvagem do Quênia, exploradores comunitários e equipes de pesquisa registraram a morte de 205 elefantes, 512 gnus, 381 zebras comuns, 51 búfalos, 49 zebras e 12 girafas nos últimos nove meses”, disse o relatório. Acrescenta que os ecossistemas mais afetados são precisamente os parques nacionais, reservas e áreas de conservação mais visitadas pelos turistas, como Amboseli, Tsavo e Laikipia-Samburu.

A Ministra do Turismo, Vida Selvagem e Patrimônio do Quênia, Peninah Malonza, disse que, além de tentar levar água para a área, “está sendo realizada uma vigilância aprimorada da vida selvagem fora das áreas protegidas para reduzir o conflito entre humanos e animais selvagens”.

A situação dos elefantes é particularmente grave e as perdas são sentidas especialmente entre os mais jovens. O relatório indica que em Amboseli, onde estão registrados cerca de 1.900 indivíduos, morreram 76. Destes, 45 eram jovens que morreram de desnutrição porque suas mães, incapazes de se alimentar durante a reprodução, não conseguiam produzir leite suficiente.

Menção especial merece o caso das zebras-de-grevy, uma espécie ameaçada de extinção da qual restam cerca de 3.000 animais no Quênia e dos quais 49 morreram devido à seca. Segundo a organização Grevy’s Zebra Trust, cerca de 600 animais se concentraram nas reservas de Samburu, Buffalo Springs e Shaba, no norte do país, em busca das últimas pastagens da região. Muitas delas são mães com seus filhotes nascidos em 2019 e 2020, para quem é vital encontrar comida e água.

O próprio relatório reconhece que a situação pode ser ainda mais catastrófica e o número de animais mortos pior, já que os guardas florestais e as equipes de pesquisa não podem percorrer todo o território em busca de corpos e que muitos dos corpos podem ter sido comidos por outros animais.

A seca que está por trás da alta mortalidade de espécimes é a mais grave em quatro décadas após quatro estações chuvosas fracassadas, principalmente nos últimos dois anos, em que houve pouca ou irregular precipitação. Afeta principalmente quatro países do Chifre da África: Quênia, Somália, Etiópia e Djibuti.

A morte de animais selvagens é apenas uma das consequências da seca, como alerta o próprio Grevy’s Zebra Trust.

“Dois anos consecutivos sem chuva trouxeram miséria a milhões de pessoas. 2,5 milhões de cabeças de gado morreram no Quênia só este ano, causando perdas econômicas de mais de US$ 1,5 bilhão”, destacou esta semana na COP27 o presidente do Quênia, William Ruto, que também é coordenador do Comitê de Chefes de Estado e de Governo Africanos sobre Mudanças Climáticas (Cahoscc).

“As perdas e danos [causados ​​pela crise climática] não são um assunto abstrato de diálogo sem fim: é nossa experiência diária e o pesadelo vivo de milhões de quenianos e centenas de milhões de africanos”, acrescentou.

A Organização das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) assegura que cerca de 18 milhões de pessoas se encontram em situação de insegurança alimentar aguda, à beira da fome, no Quênia, Somália e Etiópia devido à seca. Soma-se à escassez de água o aumento dos preços dos alimentos e fertilizantes devido primeiro à covid-19 e depois à guerra na Ucrânia e, no caso da Somália e da Etiópia, aos conflitos que sofrem.

Fonte: O Globo

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