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CUIDADO E AMOR

'Eles são a Alice': o legado da estudante de Veterinária que morreu em um show e deixou mais de 20 cachorros para a família

Por dentro da rotina, dos sonhos e das feridas que viraram luta após a morte de Alice, 27, cuja vida foi dedicada a resgatar, castrar e acolher animais. Hoje, 24 cães mantêm vivo o projeto que ela começou e ajudam os pais a lidar com o luto.

1 de março de 2026
15 min. de leitura
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Os 24 cachorros que hoje correm por uma casa na Zona Sul de Porto Alegre mantêm vivo o sonho que Alice Moraes alimentava para o futuro: ampliar resgates, castrar e salvar cada vez mais animais. A jovem morreu aos 27 anos, em 2022, após passar mal durante um show na Capital. Segundo testemunhas, houve negligência e demora no atendimento.

Agora, os pais tentam preservar esse legado interrompido, transformando o luto na missão de cuidar de cada um dos animais como se cuidassem dela.

“Eles [os cachorros] são a Alice para nós”, diz a mãe, Angela Moraes.

Desde o início da faculdade em Medicina Veterinária, que ingressou em 2016, Alice tinha a ideia de criar um serviço de resgate e prevenção para animais em situação de abandono, uma espécie de “SAMU dos animais”.

A jovem, que estava prestes a se formar Veterinária, não queria um “depósito de cães”, mas sim um sistema organizado em que cada resgate fosse castrado, vacinado e acompanhado até a adoção.

A família comprou a ideia e, aos poucos, a casa foi se adaptando ao projeto. Vieram canis arejados, rotina de resgates, cuidados, castrações, vacinação e até um “pequeno hotel para cães de vizinhos” dentro do terreno.

No projeto, Alice sonhava em trabalhar ao lado do pai, que planejava se aposentar para ser seu auxiliar.

“O projeto era virar funcionário da Alice. Eu ia fazer um curso de tosa, para dar banho, de adestramento. Ela ia ser minha chefe. Eu também sou muito cachorreiro, então ia ser uma realização também minha de trabalhar com a minha filha”, conta André.

A ausência que virou rotina

Em 16 de julho de 2022, a família perdeu Alice. A médica veterinária morreu após um mal súbito em um show da cantora Luisa Sonza.

“A maneira como a Alice morreu foi muito dolorosa porque ela foi negligenciada. Foi uma sucessão de erros que levaram à morte da minha filha”, relata André.

Ao todo, cinco pessoas foram indiciadas por omissão de socorro no mesmo ano. No entanto, o Ministério Público do RS arquivou o caso em 2024 por não haver “nexo causal (quando ação ou omissão de alguém não foi a causa do resultado) nem culpa dos profissionais no atendimento, considerando que a morte da vítima foi uma fatalidade, sem negligência, imprudência ou imperícia comprovadas”.

A família lembra que as horas seguintes da morte foram de atordoamento, mas os cães exigiam manhãs, ração, pátio limpo e vida.

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