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ACUSAÇÃO INJUSTA

Elefante asiático é perseguido por autoridades ambientais e moradores em distrito rural na Índia 

A aparição do elefante próximo das aldeias locais é reflexo da perda de habitat, provocações recorrentes de humanos e à ausência de políticas de convivência na região.

15 de janeiro de 2026
Redação ANDA
2 min. de leitura
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Foto: Pexels / Venkat Ragavan

Um elefante macho solitário está sendo perseguido por autoridades ambientais e moradores no leste da Índia, após ser acusado de matar pessoas nas aldeias próximas as florestas de Jharkhand. Locais dizem que ele é avistado desde o início de janeiro pelo distrito de West Singhbhum, uma região marcada pelo avanço humano sobre florestas.

Atribuir ao elefante a responsabilidade por mortes humanas é uma acusação injusta que ignora o contexto real da situação e transfere para o animal as consequências diretas da ação humana. Elefantes não são predadores de pessoas e não agem por crueldade ou intenção criminosa; quando conflitos ocorrem, eles estão quase sempre associados à destruição de seus territórios, à fragmentação das florestas, ao estresse extremo causado por perseguições, fogos, ataques e tentativas de expulsão.

Tudo isso encobre a falha das autoridades em proteger o habitat, implementar políticas eficazes de convivência e educar as comunidades locais. Perseguir e punir o elefante não trará justiça nem segurança, apenas aprofundará a violência e o sofrimento, quando o que se impõe é a responsabilidade humana por criar corredores ecológicos, cessar as provocações e adotar medidas éticas e científicas de coexistência entre pessoas e fauna silvestre.

Elefantes asiáticos costumam evitar contato humano e a presença deles próxima a aldeias e plantações é uma consequência da perda de habitat. Restam hoje cerca de 15% das áreas que antes garantiam alimento, água e rotas de deslocamento seguras para eles, já que florestas foram substituídas por mineração, estradas, vilas e cercas improvisadas.

Em países como a Índia, Bangladesh e Sri Lanka, é comum que elefantes sejam afugentados por moradores com rojões, pedras, choques elétricos e perseguições noturnas. Esse tipo de ação provoca desorientação, dor intensa e respostas defensivas e quando um elefante desse porte reage, o resultado costuma ser fatal.

Enquanto drones e patrulhas avançam pelas matas em busca do elefante, ele está acuado, estressado e isolado de qualquer grupo social. O elefante não escolheu caminhar entre casas e lavouras, mas foi empurrado para lá.

É necessário que o elefante seja protegido de execuções e tratado como vítima de um sistema que destrói seu lar diariamente. Também é importante a criação de políticas públicas sérias, que incluam proteção real das florestas, educação comunitária e protocolos que impeçam provocações e retaliações aos animais.

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