Uma elefanta que ficou “rosa” para polêmico ensaio da fotógrafa e influencer russa Julia Buruleva morreu no mês passado.
A notícia foi dada por Ballu Khan, presidente do comitê de Hathi Gaon, a “Vila dos Elefantes”, situada perto do Forte Amber em Jaipur (Rajastão, Índia), um assentamento comunitário criado pelo governo em 2010, onde Chanchal, que tinha 70 anos, vivia, segundo a NDTV.
As imagens, feitas num templo abandonado em Jaipur, foram inicialmente postadas por Julia em dezembro, no Instagram. Enquanto alguns usuários elogiaram o apelo estético e a criatividade da sessão, uma parcela muito maior da internet expressou preocupação com o tratamento da elefanta e questionou a ética de usar animais em tais projetos. A modelo que estrela o ensaio foi identificada como Yashasvi.
Segundo Khan, a elefanta foi pintada com gulal – um pó comumente usado durante o festival Holi – e que a tinta foi removida em 30 minutos.
No entanto, apesar da polêmica, não há evidências que sugiram que a morte da elefanta esteja relacionada à sessão de fotos ou à controvérsia em torno dela. Autoridades e tratadores locais esclareceram que o animal tinha uma idade avançada para uma elefanta — e acredita-se que sua morte tenha ocorrido por causas naturais.
Mesmo assim, a coincidência entre o vídeo e as fotos virais, que voltaram com força às redes nesta semana, e a notícia da morte de Chanchal intensificou o escrutínio público, com muitos aproveitando o momento para exigir uma fiscalização mais rigorosa e diretrizes mais claras sobre o uso de animais em atividades comerciais e artísticas.
O caso fez a organização de defesa dos direitos dos animais PETA pressionar autoridades indianas a mudarem as leis de cativeiro.
A PETA alertou ao jornal “The Star” que mortes como a de Chanchal não são surpreendentes devido aos maus-tratos sofridos por elefantes na Índia, acrescentando que, mesmo que a tinta não tenha contribuído para a morte de Chanchal, o tratamento que ela recebeu em cativeiro quase certamente contribuiu.
“Elefantes usados em passeios e outras apresentações são rotineiramente mantidos acorrentados quando não estão em uso e controlados por meio de armas – condições que causam intenso sofrimento”, explicou Khushboo Gupta, porta-voz da PETA. “Elefantes usados em passeios, casamentos e outros eventos também costumam ter deficiência visual, sofrem de problemas dolorosos nos pés por serem forçados a viver e trabalhar no concreto e frequentemente apresentam sinais de deterioração mental, como balanço constante e movimentos de cabeça”, acrescentou.
Segundo a organização de proteção animal, o tutor de Chanchal, Shadik Khan, já esteve envolvido em maus-tratos a elefantes, tendo um dos animais sido transferido para um santuário após ter sido espancado.
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Fonte: Extra