O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, é certamente uma das principais vozes entre líderes de nações – senão a única – a propor ações concretas e prazos para eliminar os combustíveis fósseis e assim conter as mudanças climáticas. Mas Petro tem um “problemão” a resolver em casa: os passivos ambientais da Ecopetrol.
A petroleira estatal colombiana petroleira poluiu centenas de locais com petróleo, incluindo fontes de água e pântanos ricos em biodiversidade. Dados vazados por Andrés Olarte, ex-funcionário da Ecopetrol, revelam mais de 800 registros de 1989 a 2018 e indicam que a empresa deixou de relatar cerca de um quinto desses vazamentos. E a empresa ainda derramou petróleo centenas de vezes desde então.
Olarte deixou a Ecopetrol em 2019 e compartilhou uma grande quantidade de dados com a ONG Environmental Investigation Agency (EIA) e, mais tarde, com a BBC. Um banco de dados que ele compartilhou, datado de janeiro de 2019, contém uma lista de 839 chamados “impactos ambientais não resolvidos” na Colômbia. A empresa usa esse termo para marcar áreas onde o petróleo não é totalmente limpo do solo e da água. Os dados mostram que, em 2019, alguns desses locais permaneceram poluídos por mais de uma década.
A principal refinaria da Ecopetrol fica em Barrancabermeja, a 260 km da capital, Bogotá. O enorme conjunto de plantas de processamento e tanques de armazenamento se estende por quase 2 km ao longo das margens do maior rio da Colômbia, o Magdalena – fonte de água para milhões de pessoas.
Membros da comunidade pesqueira acreditam que a poluição por petróleo está afetando a vida selvagem no rio. A área mais ampla abriga tartarugas de rio ameaçadas de extinção, peixes-boi e macacos-aranha, e faz parte de um hotspot rico em espécies em um dos países mais biodiversos do mundo. Os pântanos próximos incluem um habitat protegido para onças-pintadas.
Quando a BBC visitou o local, em junho do ano passado, famílias estavam pescando juntas em cursos d’água atravessados por oleodutos. Um morador disse que alguns dos peixes que eles pescaram exalavam um cheiro forte de óleo cru enquanto eram cozidos. Em alguns lugares, uma película com redemoinhos iridescentes podia ser vista na superfície da água, um sinal característico de contaminação por óleo.
A denúncia contra a Ecopetrol ganha destaque poucos dias após um megavazamento de petróleo no vizinho Equador afetar a vida de 500 mil pessoas. O rompimento do oleoduto SOTE, da estatal equatoriana Petroecuador, despejou um volume de óleo cru calculado em 200 mil barris em rios da província de Esmeraldas, no noroeste do país. Além de contaminar rios, o petróleo chegou a praias e avançou pelo Oceano Pacífico.
Fonte: ClimaInfo