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SAÚDE

Doença do carrapato: os principais riscos para os animais domésticos

A enfermidade pode ser causada por diferentes agentes etiológicos e acomete principalmente os cães. Nem sempre é possível alcançar a cura, mas existem formas de tratamento e prevenção

2 de abril de 2025
Danielle Assis
3 min. de leitura
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Foto: Ilustração | Freepik

Todo tutor de cão já ouviu falar sobre a doença do carrapato. Muito comum nessa espécie, a enfermidade é considerada perigosa, mas tem prevenção.

De acordo com Marcelo Quinzani, médico-veterinário do Grupo Pet Care e especializado com residência em clínica médica e cirúrgica de pequenos animais pela Universidade de São Paulo, ao redor do mundo já foram catalogadas mais de 800 espécies de carrapato, que possuem tamanho e aparência variadas.

“Em áreas urbanas facilmente encontramos o carrapato marrom (Riphicephalus sanguineus), que é o responsável pela transmissão das “doenças do carrapato”. Esse termo se refere a duas principais patologias: a erliquiose (causada pela bactéria Erhlichia canis) e a babesiose (causada pelo protozoário Babesia canis)”, afirma.

No entanto, não são apenas essas as enfermidades causadas por carrapatos. Segundo o profissional, anaplasmose, febre maculosa, doença de Lyme e hepatozoonose canina também possuem o ectoparasita como vetor.

“A principal diferença entre as várias doenças do carrapato está nos agentes parasitas causadores e as células por eles acometidas. A erliquiose, por exemplo, é provocada por uma bactéria que ataca os glóbulos brancos (leucócitos). Já a babesiose é causada por um protozoário, que acomete os glóbulos vermelhos (hemácias)”, explica Marcelo.

Quais são os sintomas da doença? 

Mesmo existindo mais de uma doença do carrapato, os sintomas manifestados pelos animais contaminados por elas são muito similares.

Quinzani comenta que os principais sinais apresentados por cães infectados são febre, prostração, perda de apetite e hemorragias. Também pode ocorrer dor articular, convulsão, uveíte, urina com sangue, pneumonia, vômito e diarreia. “Como os sinais são diversos e a presença deles varia de animal para animal, as doenças do carrapato podem ser confundidas facilmente com outras enfermidades infecciosas, como a cinomose”.

Normalmente, o início dos sintomas ocorre em um período de dois a 20 dias após a picada do carrapato. “Porém, é necessário esclarecer que somente os carrapatos contaminados pelos parasitas podem levar a transmissão da doença nos cachorros”, afirma o médico-veterinário.

Diagnóstico e tratamento 

“O diagnóstico das doenças do carrapato é realizado com exames de sangue. Os principais métodos empregados são os testes sorológicos ou os testes que determinam a presença do material genético do patógeno no sangue do animal, como o PCR”, cita o doutor.

Ainda de acordo com ele, no hemograma alterações laboratoriais, como deficiência de plaquetas e redução de glóbulos brancos e de hemácias, são frequentes nos animais contaminados.

Quando se chega ao diagnóstico é necessário iniciar o tratamento o quanto antes. “Geralmente para tratar as doenças do carrapato utilizamos antibióticos e medicamentos antiparasitários para eliminar tanto os carrapatos, quanto os microrganismos causadores da doença”, comenta Marcelo.

O doutor ainda complementa que outras medicações podem ser utilizadas dependendo dos sintomas e das alterações causadas pelo parasita no organismo do cão.

Além disso, a maioria das doenças do carrapato podem ser tratadas, mas nem todas possuem cura definitiva. “Existem casos em que é possível atingir somente o controle dos sintomas e das alterações hematológicas. Nestas situações o cão pode apresentar recidivas do quadro mesmo após o tratamento. Por conta disso, são recomendadas visitas periódicas para avaliação médica veterinária e realização de exames regulares”, afirma o profissional.

Como prevenir? 

A melhor maneira de prevenir a doença do carrapato é evitar que o cão ou gato tenha contato com carrapatos e possa ser picado por eles.  “Para isso, o uso regular de medicações preventivas tem sido eficiente. Podemos também evitar áreas rurais e contato com animais de origem desconhecida”, cita Quinzani.

É importante ainda escolher com cautela os locais em que o animal é levado para banho e tosa, hotel ou creche, pois os cuidados de higiene e manejo ambiental diminuem consideravelmente, aumentando a incidência desses parasitas nos locais.

Para finalizar, o doutor comenta que caso o tutor encontre um carrapato preso na pele do seu cão significa que os preventivos não estão sendo eficientes ou perderam a validade. “Quando o animal está adequadamente protegido podemos até ver carrapatos andando sobre o pelo, mas nunca aderido a pele. De qualquer forma, ao visualizar um carrapato, recomendo levar o animal para avaliação do médico-veterinário”, finaliza.

Fonte: Cães&Gatos

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