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POLUIÇÃO

Do seu celular para a cadeia alimentar: Substâncias presentes em telas são encontradas em golfinhos

Estudo identificou monômeros de cristal líquido (LCMs) acumulados nos corpos e cérebros de mamíferos aquáticos. Pesquisadores alertam para potencial de efeitos semelhantes em humanos expostos por meio de frutos do mar contaminados ou mesmo água potável.

26 de fevereiro de 2026
Renata Turbiani
3 min. de leitura
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Grupo de golfinhos-corcunda do Indo-Pacífico. Foto: Nicola Hodgins/WDC

Pesquisadores da City University de Hong Kong detectaram níveis significativos de monômeros de cristal líquido (LCMs) nos cérebros e corpos de golfinhos e botos ameaçados de extinção no Mar da China Meridional. Os LCMs são substâncias químicas sintéticas e orgânicas comumente usadas na fabricação de telas para equipamentos eletrônicos.

“Esses compostos orgânicos emissores de luz foram projetados para serem muito estáveis, de modo que pudessem durar muito tempo dentro das telas de TVs, computadores e celulares”, disse o autor Yuhe He, citado pelo The Guardian. “Ironicamente, essa mesma estabilidade é o que os torna um problema para o meio ambiente: eles não se decompõem facilmente.”

Esquema mostre fontes da substância (à esquerda); ilustração com a exposição celular dos animais estudados (à direita) e orgãos mais afetados (abaixo). Foto: Reprodução do artigo

Ele e colegas analisaram amostras de tecido de espécies ameaçadas de extinção no Mar da China Meridional ao longo de 14 anos, e examinaram 62 monômeros individuais de cristal líquido em amostras de tecido adiposo, muscular, hepático, renal e cerebral de golfinhos e botos.

Os resultados mostraram que a atividade dos quatro tipos de LCMs mais detectados incluiu alterações genéticas relacionadas ao reparo do DNA e à divisão celular em células dos animais.

“A presença de LCMs em seus cérebros é um grande sinal de alerta”, salientou He. “Se esses produtos químicos conseguem atravessar a barreira hematoencefálica em golfinhos, devemos nos preocupar com o potencial de efeitos semelhantes em humanos expostos por meio de frutos do mar contaminados ou mesmo água potável.”

Para reduzir os danos, os pesquisadores recomendaram que as pessoas prolonguem a vida útil de seus aparelhos eletrônicos por meio de reparos e façam o descarte correto. Além disso, apontaram que são necessárias regulamentações mais rigorosas sobre o uso de substâncias químicas persistentes em eletrônicos de consumo antes que esses produtos cheguem ao mercado.

“Se esperarmos até que os danos à saúde humana sejam totalmente comprovados, provavelmente será tarde demais. Agir agora em relação à regulamentação do lixo eletrônico significa prevenir uma futura crise de saúde pública”, completou He.

Fonte: Um só Planeta

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