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RECUPERAÇÃO

Dispensadores de néctar podem ajudar fauna a sobreviver após incêndios

O estudo, publicado na revista Australian Journal of Zoology, demonstra que uma grande diversidade de espécies nativas recorre facilmente a estes dispositivos quando as fontes naturais de alimento desaparecem.

20 de abril de 2026
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Foto: Reprodução

Investigadores da Adelaide University e da estação de investigação de Kangaroo Island desenvolveram uma solução simples e de baixo custo para ajudar animais selvagens a sobreviver nos dias e semanas que se seguem a incêndios florestais: dispensadores de néctar artificial.

O estudo, publicado na revista Australian Journal of Zoology, demonstra que uma grande diversidade de espécies nativas recorre facilmente a estes dispositivos quando as fontes naturais de alimento desaparecem.

A investigação foi motivada pelos incêndios de grande escala de 2019/2020, conhecidos como Black Summer bushfires, que destruíram quase metade da Kangaroo Island e eliminaram até 88% do habitat de espécies ameaçadas.

“Após os incêndios, as plantas com flor podem demorar anos a recuperar, deixando os animais que se alimentam de néctar sem uma fonte essencial de energia”, explica Sophie Petit, autora principal do estudo. “Quisemos perceber se seria possível fornecer uma fonte alimentar de emergência durante esse período crítico.”

A equipa desenvolveu um dispositivo simples, designado “Stonor feeder”, feito a partir de garrafas recicladas e pequenos recipientes com aberturas que libertam néctar quando os animais se alimentam. Fácil de montar e rapidamente distribuído no terreno, o sistema revelou-se eficaz em testes realizados após incêndios.

Os resultados mostram que os dispensadores foram utilizados por várias espécies, incluindo pequenos marsupiais, aves nectarívoras e até répteis que não eram conhecidos por consumir néctar.

Os investigadores verificaram que soluções simples de açúcar são as mais facilmente aceites pelos animais, embora fórmulas mais completas sejam necessárias para suporte prolongado. O uso de mel pode também ajudar a atrair os animais e a facilitar a adaptação ao dispositivo.

Ainda assim, o estudo alerta para riscos. Espécies maiores podem monopolizar os dispensadores, enquanto aves mais agressivas podem afastar outras. Além disso, a concentração de animais pode atrair predadores, aumentando a vulnerabilidade.

“Este tipo de alimentação suplementar não é uma solução única”, sublinha Sophie Petit. “Tem de ser cuidadosamente planeada, monitorizada e dirigida às espécies certas, no momento certo.”

Os investigadores defendem que qualquer programa deve ser implementado imediatamente após os incêndios, quando a escassez de alimento é mais crítica, e acompanhado de manutenção diária para garantir a higiene dos dispositivos.

O estudo alerta ainda para iniciativas bem-intencionadas, mas descoordenadas, que podem causar mais prejuízos do que benefícios — uma situação observada durante os incêndios de 2019/2020.

Com o aumento da frequência e intensidade dos incêndios devido às alterações climáticas, os autores acreditam que esta abordagem poderá integrar futuras estratégias de resposta a desastres, sobretudo em áreas severamente afetadas ou para apoiar espécies em risco.

Fonte: Sapo

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