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PROTEÇÃO

Dia Mundial da Baleia marca quase 40 anos da proibição da caça

Entre os séculos XIX e XX, a caça às baleias foi intensamente exploratória. O óleo extraído desses animais era utilizado como combustível, matéria-prima para a...

19 de fevereiro de 2026
3 min. de leitura
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Foto: Ilustração | Pixabay

O Dia Mundial da Baleia é celebrado em 19 de fevereiro e está diretamente ligado a um marco histórico da proteção ambiental: em 19 de fevereiro de 1986 entrou em vigor a moratória internacional contra a caça comercial de baleias, estabelecida pela Comissão Baleeira Internacional (CBI). A decisão representou um ponto de inflexão na proteção dos grandes cetáceos e na construção de políticas globais de conservação marinha.

Contexto histórico

Entre os séculos XIX e XX, a caça às baleias foi intensamente exploratória. O óleo extraído desses animais era utilizado como combustível, matéria-prima para a indústria e em diversos produtos comerciais. Espécies como a baleia-azul e a baleia-franca sofreram quedas populacionais dramáticas, aproximando-se da extinção em várias regiões do planeta.

A Comissão Baleeira Internacional, criada em 1946, passou a discutir limites à exploração diante do colapso das populações. Em 1982 foi aprovada a moratória, que entrou oficialmente em vigor em 1986, proibindo a caça comercial. A medida permitiu a recuperação gradual de algumas espécies, embora ainda existam controvérsias internacionais sobre exceções e permissões específicas concedidas por determinados países.

Importância ecológica

As baleias exercem papel estratégico no equilíbrio dos oceanos. Elas contribuem para a manutenção da cadeia alimentar e ajudam na fertilização marinha, pois seus resíduos enriquecem o fitoplâncton, organismo microscópico essencial para a produção de oxigênio e absorção de carbono.

Estudos científicos indicam que grandes cetáceos colaboram no ciclo do carbono ao longo da vida, funcionando como importantes aliados naturais no enfrentamento das mudanças climáticas. A presença dessas espécies impacta positivamente todo o ecossistema marinho.

Ameaças atuais

Apesar da proibição da caça comercial, as baleias continuam enfrentando riscos relevantes:

  • Colisões com embarcações
  • Emalhamento em redes de pesca
  • Poluição plástica
  • Aquecimento e acidificação dos oceanos
  • Poluição sonora submarina

Algumas populações, como a baleia-jubarte em determinadas regiões, apresentaram recuperação consistente. Outras ainda permanecem classificadas como vulneráveis ou ameaçadas.

O Brasil e a proteção das baleias

O Brasil proibiu definitivamente a caça às baleias em 1987. Desde então, o país tornou-se referência em conservação e pesquisa de cetáceos. Áreas do litoral da Bahia e de Santa Catarina consolidaram-se como polos de observação responsável da baleia-jubarte.

O Projeto Baleia Jubarte, criado em 1988, tem papel fundamental na pesquisa científica, monitoramento e educação ambiental. Além disso, a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) prevê sanções penais e administrativas para quem matar, perseguir ou capturar espécies da fauna silvestre sem autorização.

Evolução até os dias atuais

Desde a implementação da moratória internacional, o cenário mudou significativamente:

  • A caça comercial foi interrompida na maior parte do mundo
  • Algumas espécies registraram crescimento populacional
  • O monitoramento científico tornou-se mais tecnológico
  • O turismo de observação ganhou força como alternativa sustentável

Contudo, a recuperação das populações não é homogênea, e os impactos das mudanças climáticas impõem novos desafios à proteção marinha.

Impacto global

O Dia Mundial da Baleia consolidou-se como uma data de conscientização internacional. Ele reforça a importância de políticas ambientais eficazes, do cumprimento de acordos multilaterais e da educação ambiental como instrumento de transformação.

A trajetória das baleias simboliza uma mudança de paradigma: de recurso explorado economicamente a patrimônio natural essencial para o equilíbrio do planeta. Quase quatro décadas após a moratória de 1986, o debate não se limita mais à caça, mas envolve a proteção integral dos oceanos e a responsabilidade coletiva diante da crise ambiental global.

Fonte: CGN

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