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BARBÁRIE

Desrespeito mesmo após a morte: tubarão tem barbatanas mutiladas após ser retirado do mar em praia de Pernambuco

Vídeo mostra a participação de pelo menos quatro pessoas e levanta questionamentos sobre possível infração ambiental e responsabilização.

30 de março de 2026
Redação ANDA
4 min. de leitura
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Foto: Reprodução/Instagram

Um tubarão-cabeça-chata foi alvo de violência mesmo após a morte, ao ter suas barbatanas cortadas a facadas por homens na Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife (PE), ontem (29/03). As imagens mostram o desrespeito que os humanos têm pelos animais mesmo após sua morte.

O tubarão, uma fêmea adulta da espécie Carcharhinus leucas, já havia sido capturado acidentalmente em rede de pesca em alto-mar. Ainda assim, foi vítima de crueldade quando dois homens golpearam suas barbatanas com facas, enquanto um terceiro chega a subir sobre seu corpo para posar para fotos.

De acordo com relatos, ao menos quatro pessoas foram necessárias para arrastar o corpo do tubarão, que pesava cerca de 150 quilos, até a praia. O ato, longe de qualquer justificativa, mostra a naturalização da exploração e da mutilação de animais como se fossem meros objetos.

Em nota, o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) confirmou a identificação da espécie e destacou que o tubarão teve “nadadeiras filetadas para consumo humano”. O órgão também alertou que “sua captura, manejo inadequado ou comercialização podem caracterizar infração ambiental, sujeitando os responsáveis às penalidades previstas na legislação vigente, além da possibilidade de apuração pelo Ministério Público para eventual responsabilização na esfera penal”.

Além da ilegalidade, o Cemit reforçou a importância ecológica do tubarão-cabeça-chata, dizendo que “a conservação de espécies como o tubarão-cabeça-chata é fundamental para a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas marinhos”. Ainda segundo o comitê, o consumo desses animais pode representar riscos à saúde humana, já que “apresentam tendência à bioacumulação de metais pesados, como o mercúrio”.

A Associação da Reserva do Paiva informou que o animal foi encontrado por volta das 7h, após ser capturado entre 1 e 2 km da costa. Segundo a entidade, após orientação sobre a proibição da pesca da espécie, os pescadores enterraram as vísceras e recolheram o restante do corpo.

A Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho declarou que foi notificada e está apurando o caso. Já o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) afirmou que irá instaurar procedimento para investigar os fatos e possíveis responsabilidades.

Diante da gravidade das imagens, é importante que o caso não termine em impunidade. A violência mostra uma falha na forma como a vida não humana é tratada. Mesmo morto, o tubarão foi submetido a atos de desrespeito e mutilação que revelam uma cultura de indiferença e barbárie, e esse comportamento cruel não pode ser normalizado.

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