Argentina retrocede ao revogar uma proibição de 52 anos sobre a exportação de animais vivos para a indústria da carne. A decisão foi formalizada com a publicação do Decreto 133/2025 no Diário Oficial ontem (26/02), sob a administração do presidente Javier Milei, marcando o fim da lei criada em 1973.
A decisão retoma uma prática cruel, desumana e que submete milhares de animais a viagens longas e extremamente estressantes, em condições deploráveis, apenas para serem mortos quando chegarem ao destino. Essas exportações vão contra qualquer noção básica de dignidade e respeito à vida.
A justificativa do governo, de que a decisão visa “estimular o livre comércio” e “aumentar a competitividade internacional”, trata os animais como meros objetos. O lucro econômico não pode e não deve ser colocado acima da vida e do bem-estar de seres sencientes.
O Ministério da Economia argentino ainda afirmou que “a proibição estava desatualizada”, quando as ações de países desenvolvidos mostram o contrário. Enquanto países como Nova Zelândia e Reino Unido proibiram a exportação de animais vivos, e a Austrália se prepara para encerrar as exportações de ovelhas vivas até 2028, a Argentina decide reviver essa prática.
Em um momento em que o mundo avança em direção a práticas mais éticas e sustentáveis, a Argentina opta por seguir o caminho oposto, alinhando-se a uma indústria que há muito tempo é exposta por sua brutalidade. Essa decisão coloca o país em desacordo com uma tendência global crescente de priorizar o bem-estar animal e buscar substitutos mais respeitosos e sustentáveis.
Ativistas pelos direitos animais do país já estão condenando a decisão, destacando que a exportação de animais vivos é uma forma de crueldade institucionalizada. “Não podemos ficar em silêncio. Hoje, mais do que nunca, rejeite todo tipo de exploração e abrace o veganismo como a única maneira de acabar com essas práticas”, declarou a ONG Animal Libre em postagem no Instagram.
Já a ONG Sintientes, sencientes em espanhol, tem um abaixo-assinado que propõe um projeto de lei para modificar o Código Civil e Comercial da Argentina para reconhecer os animais como seres sencientes e retirá-los da categoria de “coisas”.
A Argentina tinha a oportunidade de ser um exemplo, adotando práticas mais humanas e sustentáveis, mas, infelizmente, escolheu retroceder, apoiando a crueldade e a exploração.
Nota da Redação: a decisão da Argentina de retomar a exportação de animais vivos após 50 anos de proibição é um retrocesso inaceitável no que diz respeito aos direitos animais, submetendo milhares de seres sencientes a condições desumanas, como viagens longas e estressantes, superlotação, falta de cuidados básicos e a morte. Enquanto países ao redor do mundo avançam na proibição dessa prática, a Argentina opta por priorizar interesses econômicos em detrimento da vida e da dignidade dos animais. Exigimos que essa decisão seja revertida e que os direitos animais sejam colocados acima do lucro.