Todos os anos, milhões de tartarugas desovam nas areias do Rio Guaporé, no Norte do Brasil. O rio, que fica na fronteira com a Bolívia, até que se transforma em uma verdadeira maternidade para milhões de tartaruguinhas.
As fêmeas, vão em busca de um lugar para desovar e faz cavidades para colocar os ovos. No mês seguinte, entre novembro e dezembro, começa o nascimento dos filhotes. Uma cena muito especial para quem luta pela conservação da tartaruga-da-Amazônia, que há alguns anos correu sério risco de extinção e ainda demanda cuidados.
De acordo com Camila Ferrara, ecóloga de Fauna Aquática da WCS, cerca de 200 tartarugas já desovaram nessa temporada, mas esse ano por conta do frio, o processo está ocorrendo mais lentamente. “Já conseguimos ver muitas cabeças na água esperando para subir para as praias”, conta.
Ainda de acordo com ela, esse ano foi feita uma transmissão ao vivo ao longo de três dias para mostrar esse evento de desova em nível global. “Porém, nem tudo acontece na nossa hora, e sim, da natureza. Esse ano a região está mais fria, e essa mudança climática impacta diretamente na desova que deve demorar mais alguns dias pra acontecer. Mas parte da nossa equipe continuará acompanhando a chegada desse momento”, conta ela.
“A desova em massa é um processo essencial para a manutenção da integridade ecológica deste rio. Após este período e uma espera de algumas semanas, entre novembro e dezembro, anualmente, centenas de milhares de filhotes nascerão livres, em busca das águas do rio. Por isso a importância de conhecer e conservar esta espécie e suas áreas de reprodução”, destaca.
A WCS está combinando os esforços de seus programas nacionais na Bolívia e no Brasil para desenvolver um esforço multinacional coordenado para conservar esta população-chave da tartaruga-da-Amazônia, que costumava chegar aos milhões, mas a população vem diminuindo devido a problemas históricos de exploração e comércio para uso de óleo, carne e ovos.
Ambientalistas estão trabalhando para proteger a tartaruga em colaboração com a ONG local Ecovale, a comunidade Versalles, na Bolívia, agências ambientais federais e estaduais de ambos os países e a população local.
Como o evento de nidificação está ocorrendo agora, os colaboradores estão protegendo os ninhos e ovos de caçadores, além do trabalho de pesquisa, realizando um censo das fêmeas que nidificam e coletando outros dados que ajudarão a subsidiar um plano de conservação para a espécie.
Fonte: G1