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VÍTIMAS

Descartados como objetos: quase 30 mil animais são assassinados no Chipre para combater a Febre Aftosa no país

28 de março de 2026
Redação ANDA
2 min. de leitura
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Foto: Reprodução/ Parikiaki

Mais de 29.700 vidas foram interrompidas em Chipre como resposta ao avanço da Febre aftosa, segundo atualização dos Serviços Veterinários. Por trás dos números, estão 28.019 ovinos e caprinos e 1.712 bovinos, indivíduos sencientes que experimentavam o mundo, estabeleciam vínculos e reagiam ao ambiente ao seu redor. Cada um deles foi reduzido a estatística em uma política que transforma vidas em descarte sanitário.

O surto atingiu 49 rebanhos, sendo 46 na região de Larnaca e três em Nicósia. Mesmo com o avanço da vacinação, está prevista a morte de mais 240 ovinos e caprinos e 150 bovinos nos próximos dias, ampliando uma resposta baseada na eliminação preventiva de indivíduos que já se encontram em situação de vulnerabilidade.

Dados oficiais indicam que 1,79 por cento das unidades de ovinos e caprinos foram afetadas, o que representa 5,7 por cento da população desses animais. Entre os bois, 1,87 por cento das unidades registraram infecção, alcançando 2,2 por cento do total. Ainda que os percentuais sejam apresentados como forma de controle, eles ocultam o impacto real sobre cada vida interrompida.

A vacinação segue em curso. Entre bovinos, 98 por cento receberam a primeira dose. Entre ovinos e caprinos, a cobertura chegou a 75 por cento. A segunda dose foi aplicada em 30 por cento dos bovinos e em 10 por cento dos demais. Apesar disso, a estratégia mantém a morte em massa como eixo central da contenção, evidenciando a prioridade dada à preservação de sistemas produtivos em detrimento da vida dos indivíduos.

As autoridades continuam com coleta de amostras, rastreamento e investigações epidemiológicas. Paralelamente, o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente lançou uma plataforma digital com informações sobre a doença, medidas em vigor e canais de contato. O espaço também reúne orientações sobre compensações financeiras, reativação de atividades e recomposição de rebanhos, tratando a perda de milhares de vidas como etapa operacional de um ciclo econômico.

Enquanto isso, o número de mortos segue crescendo. A resposta adotada reforça um modelo que desconsidera a condição desses indivíduos como sujeitos de experiência, tratando suas existências como peças substituíveis em uma engrenagem que naturaliza a violência institucionalizada.

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