A empresa responsável pela gestão do lixão de Planaltina (GO), no Entorno do Distrito Federal, pode ser condenada a pagar ao menos R$ 10 milhões por crime ambiental após o chorume gerado no local atingir a vegetação do cerrado e correr risco de chegar a um curso d’água ligado ao Rio Maranhão.
Segundo denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), o líquido tóxico produzido pela decomposição do lixo teria vazado ou sido despejado para fora da área do lixão, escorrendo por mais de 200 metros pela vegetação até se aproximar de um córrego da região. Por causa do dano ambiental, o órgão denunciou a empresa Hannover Tecnologia e Gestão Ambiental Ltda. A denúncia já foi recebida pela Justiça.
O lixão fica nas proximidades do Setor Brasilinha 16, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central, e recebia grande volume de resíduos, inclusive de geradores do Distrito Federal.
Relatório de fiscalização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad) aponta que o local funciona, na prática, como lixão a céu aberto, com descarte de lixo diretamente no solo e sem estrutura adequada para proteger o meio ambiente.
A vistoria, realizada em agosto de 2025, identificou vários problemas na operação do local. Entre eles estão falta de impermeabilização do solo, ausência de sistema adequado para drenagem do chorume e inexistência de monitoramento das águas subterrâneas, medidas consideradas essenciais para evitar contaminação ambiental.
De acordo com o documento técnico, o lixão recebeu nota 5,3 no Índice de Situação das Áreas de Disposição de Resíduos (ISR), classificação que indica nível moderado de criticidade ambiental.
Durante a inspeção, os fiscais também observaram lixo exposto, presença de animais e odores fortes na área. Além disso, a balança usada para controlar a quantidade de resíduos recebidos estava sem funcionamento no momento da vistoria. O local só pode receber cerca de 66 toneladas de lixo por dia.