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CALOR EXTREMO

Crise climática preparou cenário para incêndios florestais 22% mais intensos na Europa

Condições para a temporada recorde de queimadas foram estabelecidas meses antes na Turquia, na Grécia e no Chipre, mostra estudo de atribuição

28 de agosto de 2025
José Henrique Mariante
5 min. de leitura
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Morador de Patras, na Grécia, observa o incêndio florestal que devastou a região neste mês de agosto, quando as temperaturas chegaram a 45°C; mudança climática intensificou as condições para o evento. Foto: Aris Messinis/AFP

Mais de um milhão de hectares já queimaram na Europa neste ano. Se já é inegável que o tempo seco e as sucessivas ondas de calor no continente contribuíram para o recorde, um novo estudo de atribuição mostra que a crise climática também preparou o terreno meses antes, tornando os incêndios 22% mais intensos.

A estimativa é do WWA (World Weather Attribution), painel de cientistas que investiga a responsabilidade da crise climática em eventos extremos. O estudo rápido, que ainda não tem revisão por pares mas trabalha com parâmetros e modelos climáticos consagrados, analisou dados de TurquiaGrécia e Chipre, que desde junho combatem incêndios florestais a temperaturas que alcançam os 45°C.

“Parece claro que algo semelhante se deu na Espanha e em Portugal, que registraram as maiores de destruição até a semana passada”, diz Friederike Otto, professora de Ciência do Clima e Política Ambiental do Imperial College, instituição que lidera os estudos do WWA.

“Hoje, com um aquecimento de 1,3°C [do planeta, em relação aos níveis pré-industriais], registramos novos extremos no comportamento dos incêndios florestais, que levam os bombeiros ao limite. O problema é que estamos caminhando para um aquecimento de até 3°C neste século se nada for feito”, afirma Theodore Keeping, pesquisador da instituição londrina, projetando uma situação sem transição para energia limpa.

Em seguida, o grupo analisou como o calor intenso e seco preparou as plantas para queimar pouco antes do início dos incêndios graças a uma métrica que reflete o quanto o ar está “com sede”, na linguagem do estudo. Descobriu-se que uma semana de condições de alta evaporação é agora cerca de 13 vezes mais provável e 18% mais intensa.

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