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FUTURO PREOCUPANTE

Corte no gelo da Groenlândia: cientistas temem volta de fenômeno climático de 7 mil anos atrás

Perfuração revela que área hoje coberta por centenas de metros de gelo já ficou exposta, e pode voltar a derreter neste século

25 de janeiro de 2026
3 min. de leitura
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Foto: Canva

Um corte no gelo da Groenlândia revelou que uma área hoje coberta por centenas de metros de gelo já esteve completamente livre há cerca de 7 mil anos.

A descoberta preocupa cientistas porque indica que o fenômeno pode se repetir com o aquecimento atual, já que a camada de gelo do Ártico pode ser mais frágil do que parecia ser.

O que os pesquisadores encontraram com o corte no gelo da Groenlândia

A descoberta aconteceu na Cúpula Prudhoe, no noroeste da Groenlândia. Ali, uma equipe internacional perfurou mais de 500 metros de gelo sólido até alcançar a rocha e os sedimentos abaixo.

O trabalho faz parte do projeto GreenDrill, liderado pela Universidade de Buffalo, localizada nos Estados Unidos, e exigiu uma semana de perfuração em condições extremas do Ártico.

Sedimentos revelam quando o gelo desapareceu

Ao analisar os sedimentos coletados, os cientistas conseguiram determinar quando aquela área esteve exposta à luz do dia pela última vez. O resultado foi claro, há cerca de 7.100 anos, não havia gelo cobrindo a região.

A conclusão foi publicada na revista científica Nature Geoscience, uma das mais importantes da área.

Como os cientistas chegaram a essa data

O estudo usou um método chamado datação por luminescência. Quando os sedimentos ficam enterrados sob o gelo, elétrons ficam presos em minerais por causa da radiação natural. Esses elétrons só são liberados quando o material volta a receber luz.

Segundo o pesquisador Caleb Walcott-George, autor principal do estudo, isso indica que o gelo da Cúpula Prudhoe derreteu no início do Holoceno, período em que as temperaturas eram de 3°C a 5°C mais altas do que hoje.

Uma área do tamanho de um estado brasileiro

A Cúpula Prudhoe não é pequena. Ela cobre cerca de 2,5 mil quilômetros quadrados, uma área comparável à de um pequeno estado brasileiro, com gelo que chega a 600 metros de espessura no ponto mais alto.

Os dados indicam que toda essa massa de gelo se formou novamente apenas nos últimos 7 mil anos, o que aumenta a sensibilidade da região às mudanças climáticas.

Por que esse corte no gelo da Groenlândia preocupa agora

O alerta vem da comparação direta com o presente. Modelos climáticos indicam que as temperaturas na região podem voltar aos níveis do início do Holoceno ainda neste século, caso o aquecimento global continue no ritmo atual.

ara o líder do projeto, Jason Briner, o recuo do gelo é apenas uma questão de tempo se as emissões causadas pelo ser humano não forem reduzidas.

O gelo já dá sinais de enfraquecimento desde 2016

Dados recentes mostram que o problema não é apenas teórico. Entre 2016 e 2021, o volume de rachaduras e fendas nas geleiras da Groenlândia cresceu até 25%, segundo estudos citados pelos pesquisadores.

Essas fraturas aceleram o derretimento e facilitam o escoamento de gelo para o oceano.

O que essa descoberta muda na prática

O corte no gelo da Groenlândia mostra que o sistema climático pode mudar mais rápido do que se imaginava. Áreas hoje consideradas estáveis já passaram por transformações drásticas em um passado relativamente recente.

E esse não é o único sinal de que o gelo do planeta está entrando em uma nova fase, outros estudos recentes indicam mudanças semelhantes em diferentes regiões polares.

Fonte: ND Mais

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