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COP 15

Conheça os animais que o Brasil quer incluir na lista internacional de proteção

29 de março de 2026
Redação ANDA
3 min. de leitura
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Típica do bioma que recebe a Conferência, a caboclinho-do-pantanal (Sporophila iberaensis) está proposta para o no Apêndice II – Foto: Márcio Reppening

Em Campo Grande, no coração do Pantanal, representantes de diversos países se reúnem para a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres. O encontro discute medidas que podem ampliar a proteção de animais que atravessam fronteiras ao longo de suas vidas e dependem de diferentes territórios para sobreviver.

Entre os principais pontos está a inclusão de novas espécies nos apêndices da convenção, mecanismo que define níveis de proteção internacional. O Apêndice I reúne espécies ameaçadas de extinção, enquanto o Apêndice II contempla aquelas que dependem da cooperação entre países para garantir sua sobrevivência.

As propostas levadas pelo Brasil têm como base estudos desenvolvidos por centros de pesquisa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que acompanham populações, realizam pesquisas de campo e atuam junto a comunidades e organizações. Esses trabalhos buscam responder a uma realidade urgente. Animais migratórios enfrentam perda de habitat, mudanças climáticas e pressão humana em diferentes pontos de seus trajetos.

Entre as aves, estão algumas das situações mais preocupantes. Espécies que percorrem milhares de quilômetros entre o Ártico e a América do Sul enfrentam quedas acentuadas em suas populações. O maçarico-de-bico-torto teve redução estimada em cerca de 70 por cento nas últimas gerações. Já o maçarico-de-bico-virado perdeu mais de 95 por cento de sua população desde a década de 1980. Esses números refletem uma trajetória de desaparecimento que se intensifica a cada ano.

Outras espécies também estão em discussão, como o maçarico-pernilongo e o caboclinho-do-pantanal, que dependem de áreas úmidas e campos naturais cada vez mais reduzidos. Há ainda propostas voltadas a aves marinhas que passam a maior parte da vida em alto-mar e enfrentam riscos constantes longe da costa.

Nos ambientes aquáticos, a situação também é crítica. Espécies que percorrem rios e oceanos atravessam fronteiras invisíveis, mas encontram obstáculos concretos como poluição, pesca intensiva e degradação de ecossistemas. O pintado, por exemplo, depende de longos deslocamentos em rios sul-americanos para completar seu ciclo de vida.

Tubarões e cetáceos também estão entre os mais afetados. Espécies como o tubarão-martelo e o tubarão-martelo-grande enfrentam pressão constante da pesca. Já a toninha, considerada o pequeno cetáceo mais ameaçado do Atlântico Sul Ocidental, segue em risco elevado de desaparecer.

Na Amazônia, grandes peixes migratórios como a dourada e a piraíba percorrem milhares de quilômetros entre áreas de alimentação e reprodução. Sem cooperação entre países, esses deslocamentos se tornam cada vez mais difíceis, comprometendo sua sobrevivência.

A conferência reforça uma questão central. Animais migratórios não reconhecem fronteiras políticas, mas dependem de decisões humanas que ultrapassem limites geográficos. Sem ações coordenadas, cada trecho perdido de seus caminhos representa mais um obstáculo em trajetórias já marcadas por riscos.

Por trás das propostas e negociações, estão vidas que dependem da continuidade desses percursos. Proteger esses animais significa garantir que consigam completar seus ciclos, encontrar alimento, se reproduzir e seguir existindo em um mundo que, a cada ano, reduz os espaços disponíveis para sua sobrevivência.

 

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