EnglishEspañolPortuguês

POLUIÇÃO SONORA

Como a tartaruga mais ameaçada do mundo reage ao barulho causado por humanos

Cientistas utilizam sensores para captar que espécie tem audição sensível justamente na frequência em que ocorre intensa atividade sonora vinda de indústrias e embarcações

4 de fevereiro de 2026
Fernanda Zibordi
4 min. de leitura
A-
A+
Foto: National Park Service/Domínio público

Você já parou para pensar que a “poluição sonora” causada por humanos pode afetar também os seres marinhos? Isso porque muitos animais que vivem no oceano são sensíveis a ondas sonoras, como é o caso da tartaruga-de-kemp (Lepidochelys kempii), uma pequena espécie de tartaruga marinha que está entre as mais ameaçadas do mundo.

De acordo com um estudo publicado hoje na revista científica The Journal of the Acoustical Society of America, esses répteis têm sua audição mais sensível justamente na mesma faixa de baixa frequência em que ocorre grande parte do ruído industrial e de embarcações marítimas.

As consequências dessa vulnerabilidade ainda são pouco conhecidas, mas os cientistas da Woods Hole Oceanographic Institution afirmam que elas podem estar associadas na qualidade de orientação desses animais ao navegarem no ambiente.

Fator de risco para espécie ameaçada

Descritas como as menores tartarugas-marinhas do mundo, as tartarugas-de-kemp são encontradas especialmente no Golfo do México na fase adulta, mas fazem aparições em várias regiões do Oceano Atlântico Norte. A espécie já foi abundante, mas entrou em colapso em meados do século 20, encontrando-se na lista de animais criticamente ameaçados da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

“Eles enfrentam uma variedade de ameaças, incluindo captura acidental em equipamentos de pesca, colisões com embarcações, ingestão de detritos plásticos e degradação das praias de nidificação e do habitat costeiro”, afirma Charles Muirhead, principal autor do estudo, em comunicado.

Para entender o quanto essas tartarugas são capazes de captar o som ao redor causado pelo ser humano, os cientistas instalaram sensores não invasivos em suas cabeças e mediram os sinais elétricos transmitidos ao longo de seus nervos auditivos.

Barulheira no fundo do mar

Os dados coletados demonstraram que as tartarugas-de-kemp foram atingidas por ondas sonoras que variaram de 50 hertz – próximo ao limite inferior da audição humana – até 1.600 hertz – mais de 12 vezes menor que o limite superior da audição humana. Segundo os pesquisadores, as tartarugas ouviam melhor em frequências em torno dos 300 hertz.

O problema é que esses seres são justamente têm sua audição mais sensível na faixa onde ocorre boa parte de ruídos provenientes de intensa atividade humana, como sons de indústrias e embarcações.

Mesmo que não se aprofundem nos prejuízos que essa condição possa trazer para as tartarugas, os cientistas pontuam que é necessário monitoramentos para que se entenda os impactos de tartarugas estarem expostas a fatores de estresse em grande parte do seu ciclo de vida.

“Eles também darão suporte a abordagens de gestão baseadas em evidências, visando minimizar impactos indesejados e, ao mesmo tempo, equilibrar as atividades humanas em águas costeiras e oceânicas”, diz o pesquisador.

Fonte: Revista Galileu

    Você viu?

    Ir para o topo