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RISCOS

Comércio de animais silvestres amplia risco de novas doenças em humanos; entenda

Circulação global de fauna silvestre amplia as oportunidades para que vírus e bactérias saltem entre espécies. Doenças como o HIV, a epidemia de Ebola na África Ocidental em 2014, surtos de mpox e a pandemia de COVID-19 já foram associados ao contato com animais silvestres comercializados.

11 de abril de 2026
3 min. de leitura
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Tráfico de animais: quanto mais tempo uma espécie permanece no comércio global, maior a probabilidade de compartilhar patógenos com humanos. — Foto: Getty Images

O comércio global de animais silvestres está diretamente associado ao aumento da transmissão de doenças de animais para humanos. A conclusão é de um estudo publicado na revista Science, que analisou milhares de espécies comercializadas ao redor do mundo.

Segundo a pesquisa, 41% das 2.079 espécies de mamíferos presentes no comércio global compartilham ao menos um patógeno com humanos. Entre espécies que não são comercializadas, essa proporção cai para 6,4%. Os animais negociados também são cerca de 1,5 vez mais propensos a hospedar doenças zoonóticas, aquelas transmitidas de animais para humanos.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Friburgo, na Suíça, e aponta que o risco de transmissão ocorre em todas as etapas da cadeia — da caça ao consumo, passando por transporte, criação e venda.

Doenças como o HIV, a epidemia de Ebola na África Ocidental em 2014, surtos de mpox e a pandemia de COVID-19 já foram associados ao contato com animais silvestres explorados para consumo.

A análise também identificou um fator de risco crescente: quanto mais tempo uma espécie permanece no comércio global, maior a probabilidade de compartilhar patógenos com humanos. Em média, a cada dez anos no mercado, um mamífero passa a carregar um patógeno adicional capaz de infectar pessoas.

Isso indica que microrganismos que hoje não afetam humanos podem, no futuro, dar origem a novos surtos. “Há uma necessidade urgente de avaliar os riscos associados ao comércio de fauna”, aponta o estudo, que defende o fortalecimento da vigilância sanitária.

Especialistas destacam que os dados ainda têm lacunas importantes, sobretudo em mercados locais e no comércio de animais vivos, onde o contato direto aumenta o risco de transmissão. De toda forma, o padrão geral é claro: a circulação global de fauna silvestre amplia as oportunidades para que vírus e bactérias saltem entre espécies.

Para a organização Wildlife Health Australia, os resultados ajudam a orientar políticas públicas. “Esses dados mostram onde estão as interações mais arriscadas e podem apoiar decisões para reduzir esses riscos”, afirmou a pesquisadora Tiggy Grillo ao site australiano ABC Net.

O alerta ganha peso em um cenário de aumento de doenças zoonóticas. Só em 2026, a Austrália já registrou centenas de casos envolvendo infecções transmitidas por animais explorados para consumo. Para os autores, ampliar o monitoramento de patógenos em populações selvagens, cativas e domésticas será essencial para prevenir futuras epidemias. “Se perturbamos a natureza, perturbamos a vida de todos nós”, disse Grillo.

O tráfico de vida selvagem e silvestre segue como um problema global, apesar de décadas de tentativas de controle, segundo relatório de 2024 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. Entre 2016 e 2020, o comércio legal movimentou cerca de US$ 11 bilhões, sendo aproximadamente US$ 1,8 bilhão com animais e US$ 9,3 bilhões com plantas. Já o mercado ilegal, que inclui tanto animais quanto plantas e produtos derivados, é estimado entre US$ 7 bilhões e US$ 23 bilhões por ano. A atividade atinge cerca de 4 mil espécies em 162 países e tem impactos diretos sobre a biodiversidade, os ecossistemas e também economias locais.

Fonte: Um Só Planeta

Editado pela Redação da ANDA

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