O pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri) está atualmente classificado com o estatuto de “Quase Ameaçado” na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Mas a ave poderá já reunir todas as condições para passar a ser considerada uma espécie realmente ameaçada.
Num artigo publicado esta semana na revista ‘Biological Conservation’, uma equipa de cientistas do Reino Unido, Estados Unidos da América (EUA) e França avança que a espécie enfrenta um maior risco de extinção do que se pensava, sobretudo à luz das alterações que a Antártida, o único local no plane onde os pinguins-imperadores vivem, tem vindo a sofrer e continuará a sofrer à medida que a Terra se torna mais quente.
Através do uso de métodos que permitem identificar as incertezas e possíveis cenários climáticos futuros no pólo sul do mundo, os investigadores dizem ter conseguido criar uma imagem muito mais clara dos riscos que esses pinguins enfrentarão.
“Este é o primeiro estudo a integrar a variabilidade natural nos processos físicos e biológicos e a usar uma vasta gama de modelos ecológicos e do sistema terrestre para ter em conta numerosas fontes de incerteza na projeção de avaliações de futuras trajetórias populacionais”, afirma, em comunicado, Stéphanie Jenouvrier, da Instituição Oceanográfica Woods Hole (EUA) e primeira autora do artigo.
“São urgentemente necessários métodos melhorados que considerem as incertezas para reforçar as avaliações de extinção e para informar os esforços de conservação num mundo incerto”, acrescenta a bióloga.
Para chegarem à conclusão de que os pinguins-imperadores estão em maior risco de extinção do que se pensava, a equipa usou dados de décadas de observações detalhadas sobre pinguins individuais, séries temporais longas sobre os números de adultos e de crias e 10 anos de imagens de satélite que monitorizaram 50 colónias da espécie.
A tudo isso, juntaram dados da genética para perceber como as populações se alteram ao longo do tempo.
Os investigadores acreditam que esta abordagem que congrega vários métodos de análise é crucial para avaliar o risco de extinção da espécie no âmbito de vários cenários possíveis, incluindo eventos ambientais extremos.
“Os pinguins-imperadores são indicadores vitais da saúde do ecossistema na Antártida”, aponta Philip Trathan, da Universidade de Southampton e do British Antarctic Survey (Reino Unido).
Também um dos principais autores deste estudo, Trathan diz que os pinguins “ajudam também a informar-nos sobre alterações mais amplas no sistema terrestre”, razão pela qual considera que “a utilização de modelo robustos que aumentem a nossa compressão sobre incerteza e risco é vital”, especialmente “se quisermos conservar e proteger melhor esta e outras espécies”.
E o potencial das ferramentas usadas neste trabalho não se esgota nos pinguins-imperadores, com o investigador a afirmar que “os humanos dependem do mundo natural, pelo que desenvolver melhores projeções sobre o futuro do sistema terrestre é essencial para assegurar a saúde e o bem-estar humanos”.
“As ferramentas usadas neste estudo devem agora ajudar-nos a todos”, sentencia.
Fonte: Greensavers