Os recifes de corais sofrem com o aumento da temperatura do mar e a acidificação dos oceanos. O mais recente evento de branqueamento em massa de corais, observado entre fevereiro de 2023 e abril de 2024, afetou mais de 60,5% dos corais do mundo, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), dos EUA.
Cientistas do mundo todo estão atrás de soluções, e uma delas é o UZELA (Underwater Zooplankton Enhancement Light Array – Matriz de Luz Subaquática de Melhoria do Zooplâncton, em português), um sistema de luz submersível e programável projetado para atrair zooplâncton, os pequenos organismos que constituem parte essencial da dieta dos corais. Quando implantado, o dispositivo emite luz por cerca de uma hora a cada noite, concentrando populações de zooplâncton até sete vezes maiores que seus níveis normais. Mais comida significa corais melhor alimentados, o que pode aumentar sua resiliência contra estressores ambientais.
“Os recifes de corais abrigam um terço de todas as espécies marinhas, mas ocupam menos de 1% do oceano”, disse Andréa Grottoli, principal autora do estudo e professora de ciências da Terra na Universidade Estadual de Ohio, ao The Optmist Daily. “Eles são desproporcionalmente responsáveis pela saúde dos oceanos e corremos o risco de perdê-los.”
O dispositivo foi testado perto de duas espécies de corais nativas do Havaí, Montipora capitata e Porites compressa, e os resultados mostram que as taxas de alimentação dos corais aumentaram de 10 a 50 vezes em áreas onde o UZELA foi usado. O estudo foi publicado na revista Limnology and Oceanography: Methods.
Grottoli reconhece que o UZELA não é uma solução milagrosa, mas uma medida paliativa para proteger recifes vulneráveis durante algumas décadas. Cada dispositivo pode ser usado por até seis meses com uma única bateria, e a manutenção é mínima. Ao manter a exposição à luz curta, os pesquisadores garantiram que o UZELA atraía a quantidade certa de zooplâncton sem interromper os comportamentos noturnos naturais de outras espécies marinhas.
O desafio é a escalabilidade, pois cada unidade é feita à mão, mas a equipe está colaborando com uma empresa de engenharia local para criar uma versão mais eficiente e escalável. Se tudo correr bem, um UZELA atualizado poderá estar pronto para uso generalizado dentro de um a três anos. Embora ferramentas como essa possam ajudar a sustentar os corais no curto prazo, Grottoli enfatiza que a sobrevivência dos corais a longo prazo depende do enfrentamento das mudanças climáticas.
Fonte: Um Só Planeta