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IMPACTOS

Cientistas afirmam que as mudanças climáticas estão congelando as espécies da Terra em seus respectivos lugares

Descrita como o "motor de autorreparo" da natureza, a taxa de renovação de espécies a curto prazo não está aumentando como os cientistas esperam — e isso é um problema.

24 de fevereiro de 2026
3 min. de leitura
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Foto: Andriy Onufriyenko/Getty Images

A substituição de espécies é um fenômeno onipresente, mas as mudanças ambientais podem acelerar ou desacelerar esse processo. Diante da aceleração das mudanças climáticas antropogênicas, os cientistas esperam que o número total de espécies substituídas nos diversos ecossistemas da Terra aumente. A teoria é que, à medida que as espécies enfrentam a extinção em um local, elas migrarão para novos nichos ecológicos e impulsionarão as taxas de substituição nesses locais.

No entanto, um novo estudo publicado na revista Nature Communications encontra evidências convincentes de que a renovação de espécies em todo o mundo tem, na verdade, diminuído. Na pesquisa, Emmanuel Nwankwo e Axel Rossberg, da Queen Mary University of London, analisaram um enorme conjunto de dados de código aberto chamado BioTIME, um banco de dados de levantamentos que contém quase 9 milhões de registros de identificação de espécies em ecossistemas de água doce, marinhos e terrestres.

Embora o banco de dados remonte ao século XIX, os pesquisadores se concentraram em dados referentes à década de 1970 em diante, em um esforço para capturar tendências modernas. O que eles descobriram foi que, em períodos de um a cinco anos, houve uma desaceleração média de um terço na taxa de renovação em todos os ecossistemas — contrariando as expectativas teóricas.

“A natureza funciona como um motor que se autorrepara, trocando constantemente as peças antigas por novas”, disse Nwankwo, autor principal do estudo, em um comunicado à imprensa. “Mas descobrimos que esse motor está agora parando de funcionar.”

Então, o que exatamente está acontecendo aqui? Bem, os pesquisadores descrevem um estado um tanto contraintuitivo das coisas no ecossistema, que denominaram fase de ” múltiplos atratores “. Em vez de reagir passivamente às mudanças ambientais, durante essa fase as espécies estão em constante rotatividade no ecossistema, o que os pesquisadores descrevem como um “jogo interminável de pedra-papel-tesoura” ou uma “porta giratória” de substituição de espécies. O fator X é a degradação generalizada do meio ambiente causada pelas mudanças climáticas antropogênicas. Isso está reduzindo os estoques regionais de espécies candidatas à substituição, de modo que os potenciais colonizadores de novos nichos ecológicos estão desaparecendo — e não sendo substituídos.

“A desaceleração observada na taxa de renovação, argumentamos, pode ser entendida… como resultado da degradação ambiental antropogênica ou do declínio dos conjuntos de espécies regionais, que reduzem o número de potenciais colonizadores que impulsionam a renovação”, escrevem os autores. “Embora se possa esperar que os fatores ambientais dominem a renovação de espécies eventualmente, à medida que as mudanças climáticas se acelerem ainda mais, por ora essa atribuição deve ser feita com cautela.”

Isso significa que a ausência de mudanças nas espécies locais não é necessariamente um indicador de boa saúde do ecossistema. Os autores alertam que os ecossistemas são imensamente complexos e que as estimativas da renovação total de espécies podem ser afetadas pela variabilidade climática de curto prazo (como o El Niño ou o fenômeno da Oscilação Sul) ou mesmo por variações nas metodologias utilizadas para analisar os conjuntos de dados. Mas as evidências sugerem que as mudanças ambientais relacionadas às alterações climáticas estão se mostrando ainda mais prejudiciais à dinâmica dos ecossistemas da Terra do que os cientistas previam.

Traduzido de Popular Mechanics.

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